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sexta-feira, 24 de Junho de 2011

Tomislav Ivic * Paz à sua Alma

Tomislav Ivic faleceu nesta sexta-feira, em Split, aos 77 anos, devido a problemas do coração.
Um treinador que ficou querido para uns portistas e para outros ficou para sempre  "marcado" pelo episódio do afastamento da equipa de Fernando Gomes, ídolo de muitos portistas, que segundo Ivic era finito.

A sua primeira passagem pelo FC Porto na época 1987/1988 foi plena de sucesso. 
Para além da conquista da Taça Intercontinental, da Supertaça Europeia, da Taça de Portugal, da Supertaça Cândido de Oliveira, o FC Porto de Ivic sagrou-se campeão nacional, com 15 pontos de avanço sobre o Benfica! 

Em 1993/1994 regressou ao FC Porto e teve uma passagem curta e não muito feliz. Apesar de ainda ter conseguido colocar o FC Porto na fase final da Liga dos Campeões, eliminando o Feyenoord. No Campeonato, em cada jornada que passava, mais o FC Porto hipotecava ambições, pelo que se esperava que a cabeça de Ivic rolasse de um momento para o outro. 
Mas Pinto da Costa foi sustendo Ivic, até que, já em Janeiro de 1994, após vitória concludente em Aveiro, anunciou que Ivic se... despedira, seduzido pelo convite que recebera para organizar, no âmbito da FIFA, o futebol na Croácia, asseverando que era com pena que o FC Porto o libertava.

Pessoalmente foi um treinador cujo sistema táctico não apreciava.
Era um estilo defensivo e conservador. E na segunda passagem pelo nosso FC Porto, este sistema revelou-se desastroso.
Lembro-me de um jogo diante do Milan em que fiquei mesmo envergonhado. Perdemos por 3-0, mas o pior não foi o resultado diante de um Milan que se sagraria campeão europeu, mas sim terminar na frente de ataque com o desajeitado Vinha, Kostadinov e em desespero Fernando Couto.

Outro jogo marcante pela negativa foi a segunda mão da eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões frente ao Feyenoord, depois da vitória nas Antas por 1-0 (golo de Domingos), Ivic surpreende em Roterdão, apresentando um onze super defensivo, fazendo alinhar de início 4 defesas centrais: Aloísio, Jorge Costa, Zé Carlos e Fernando Couto ... um autocarro à frente da baliza, num jogo marcado por muitas quezílias e que terminou empatado a zero, passando o FC Porto para a fase de grupos. No dia seguinte a este jogo, Ivic foi muito criticado pela imprensa escrita devido à estratégia montada, embora a mesma tenha concretizado o objectivo de passagem à fase de grupos da liga dos campeões, prova onde o FC Porto só foi travado nas meias-finais, já sob a batuta de Robson, perante o todo poderoso Barcelona.

Lembro-me ainda de um outro jogo de sofrimento em que vencemos o Sporting em Alvalade por 1-0 (golo de Domingos).  (clica para visulalizar).
No final desse jogo Pinto da Costa teceu grandes elogios à estratégia de Ivic (clica para visualizar).

Acima de tudo Ivic era um estratega, um mestre da táctica, cujas ideias de jogo eram complicadas de implementar em planteis com jogadores criativos...e que nós adeptos do futebol espectáculo por vezes não compreendíamos.

Acabou por sair a meio da época sendo substituído por Sir Bobby Robson.

Fica na história do nosso clube pelas conquistas gloriosas de 1987/1988.

Descanse em Paz!

Publicado em maisfutebol.iol.pt

O mundo despede-se de um homem que passou por 20 clubes e 4 selecções nacionais, conquistando 16 títulos.


Os adeptos do F.C. Porto recordarão certamente a temporada 1987/88, quando a equipa de Ivic arrancou com a conquista da Supertaça Europeia, passou pela vitória na Taça Intercontinental e completou o póquer com o campeonato e a Taça de Portugal.

Jorge Nuno Pinto da Costa não esquece o homem e o amigo e deixa uma mensagem em memória do técnico croata, um trota-mundos que no FC Porto conquistou os maiores êxitos de uma carreira ímpar.
“Com o desaparecimento de um grande homem lamento a perda de um grande amigo. Recordo as suas vitórias, que ficarão para sempre na história do FC Porto e do futebol português”.

António Sousa lembra treinador «amigo e muito brincalhão» (clica para visualizar).

Última entrevista à imprensa nacional

Ivic ao Maisfutebol: «Parabéns ao FC Porto»

Antigo treinador dos dragões felicita equipa de André Villas-Boas por repetir o póquer de títulos de 87/88.

Tomislav Ivic sabe que André Villas-Boas igualou o seu registo. O F.C. Porto conquistou quatro troféus na temporada 2010/11, repetindo o feito de 1987/88. O póquer de títulos foi notícia na Croácia.

O Maisfutebol partiu em busca do contacto do antigo treinador dos dragões mas deparou-se com um cenário triste. Após inúmeras tentativas ao longo desta segunda-feira, Ivic ligou de volta e deu os parabéns ao F.C. Porto. Com dificuldades.

«Quero dar os parabéns ao F.C. Porto, sobretudo ao grande presidente Pinto da Costa», começou por dizer, sem questões pelo meio, mal percebeu que estava a falar com um jornalista português. Contudo, as dificuldades de expressão eram notórias.

Ivic tem actualmente 77 anos e apresentava-se de boa saúde, multiplicando-se em aparições públicas ao longo dos últimos meses, apesar dos conhecidos problemas cardíacos do passado. Do jornal que nos facultou o contacto do técnico, garantiram-nos que este estava bem.

«Espero que tudo corra pelo melhor»

Porém, após as primeiras palavras, Tomislav Ivic confirmou o cenário preocupante. «Estou com problemas de coração, os últimos dias têm sido muito difíceis. Vamos ver o que vai acontecer, espero que tudo corra pelo melhor», desabafou, num português perfeitamente perceptível.

Naturalmente, enviámos um abraço sentido de melhoras e deixámos as questões por colocar. Ainda assim, até para homenagear o treinador que levou o F.C. Porto à conquista de quatro títulos em 1987/88, algo que só André Villas-Boas conseguiu imitar, quisemos reproduzir as suas palavras.

Recorde-se que Tomislav Ivic, sucessor de Artur Jorge no comando técnico dos dragões, iniciou a temporada com a conquista da Supertaça Europeia, frente ao Ajax, seguindo-se a vitória na Taça Intercontinental, perante o Peñarol, o triunfo no campeonato português e a conquista da Taça de Portugal. Curiosamente, o V. Guimarães foi o adversário nessa final. Jaime Magalhães decidiu (1-0).

Para completar a homenagem do Maisfutebol, com reforço do sentido desejo de melhoras para Tomislav Ivic, aqui fica o plantel do F.C. Porto na temporada 1987/88. Domingos Paciência, por exemplo, estreou-se na equipa principal na recta final dessa época.

FC Porto 1987/88:

Guarda-redes: Jozef Mlynarczyk, Zé Beto, Vítor Baía e Best;
Defesas: João Pinto, Barriga, Bandeirinha, Eduardo Luís, Inácio, Lima Pereira, Fernando Couto, Celso e Geraldão;
Médios: André, Quim, Frasco, Jaime Pacheco, António Sousa, Rui Barros, Semedo, Jaime Magalhães e Rabah Madjer;
Avançados: Raudnei, Fernando Gomes, Rui Neves, Juary, Domingos e Jorge Plácido.

Supertaça Europeia



Taça Intercontinental

quarta-feira, 16 de Junho de 2010

Os "cavaleiros" de Sir Bobby Robson



Tinha eu 15 anos, quando nas épocas 93/94 (meia época), 94/95 e 95/96, ainda o futebol era aos domingos à tarde no velhinho estádio das Antas, eu assistia ao mais belo futebol praticado pelo meu Porto até aos dias de hoje.
Jogávamos num 4*4*2, e tínhamos um futebol simples e rápido, de ataque muito atractivo. Baia, João Pinto, Rui Jorge, Aloísio, Zé Carlos, Emerson, Kulkov, Drulovic, Secretário, Domingos e Yuran.
Na época 93/94 apesar de só vir a meio da época, ainda ganhou uma Taça de Portugal ao Sporting que o tinha despedido, e levou nos até às meias finais da liga dos campeões, onde fomos vencidos pelo gigante Barcelona, que acabou por perder a final da taça dos campeões europeus contra o Milão por 4-0. Nessa meia final cometeu um erro muito badalado na altura… colocou o Aloísio a lateral esquerdo.
Fica também para a história na fase de apuramento a fantástica vitória por 5-0 na casa do então poderoso Werder Bremen. O F.C. Porto cilindrou completamente o Werder Bremen na altura a melhor equipa alemã. Numa equipa onde jogavam Timofte, Domingos, José Carlos e Fernando Couto, a equipa portista deu uma lição de futebol aos alemães.
Nesse ano só o Barcelona nos travou nas meias finais da Liga dos Campeões.
Na época de 94/95 marcamos 73 golos em 34 jogos e na época de 95/96 marcamos 84 golos em 34 jogos.
Eram épocas em que goleávamos nas antas, muitas das vezes ainda me estava a sentar e já lá morava o primeiro. Não tenho certeza absoluta, mas numa dessas épocas chegamos a marcar o golo mais rápido até então.
Sempre tentou falar português nas conferências de imprensa, onde misturava português com inglês e toda a gente entendia. Sempre sorridente quando pisava o relvado antes dos jogos, acenava aos adeptos, e vinha sempre verificar se o relvado havia sido bem regado.
Trocou nos pelo Barcelona, não tendo a atitude mais correcta com o nosso presidente e clube, mas nada disto irá apagar da minha memória os jogos fantásticos que assisti naquelas tarde de domingo no velhinho Estádio das Antas.
Bobby Robson, o cavalheiro do sorriso permanente e contagiante, cedeu em 31 de Julho de 2009 no último jogo da vida, frente ao mais difícil dos adversários, que já por várias vezes havia fintado e até derrotado. Tinha 76 anos e, segundo comunicado da família, "perdeu a sua longa e corajosa batalha contra o cancro e morreu, em paz, na sua casa do condado de Durham, com a mulher e a família ao seu lado".



José Mourinho de “Traductor” a “Special One”

José Mário dos Santos Mourinho Félix nasceu em Setúbal, Portugal no dia 26 de Janeiro de 1963.

José Mourinho é filho do ex-guarda-redes e treinador português, Félix Mourinho.
José Mourinho nunca conseguiu seguir uma carreira de futebolista, chegou a jogar nos juniores do Belenenses. Já sénior vestiu a camisola do Rio Ave. Mais tarde voltou ao Restelo, depois ao Sesimbra e acabou no Comércio e Indústria.
Já na altura leccionava Educação Física e começava a preparar-se para ser treinador de futebol, mas desde muito cedo mostrou uma habilidade inata para organizar e preparar os relatórios e os dossiers das equipas do pai.

Na década de 90, Mourinho esteve no Estrela da Amadora e no Vitória de Setúbal. Em meados da década é contratado para trabalhar com o técnico inglês Bobby Robson, no Sporting Clube de Portugal.

Na época 93/94, acompanha Sir. Bobby Robson na vinda para o FC Porto. De Mourinho sabia-se apenas que era o tradutor do técnico inglês.

Mourinho ganha assim alcunha de Traductor. 
Mantém-se braço direito do treinador inglês quando ele muda para o para o Barcelona.
Torna-se um conhecedor do futebol espanhol e quando Robson sai para o PSV, Mourinho permanece na Catalunha com o holandês Van Gaal. A confiança e o profissionalismo de Mourinho alargam-lhe o leque de funções. Do seu papel de tradutor, começa a contribuir activamente nos treinos e na preparação dos jogos. Passa a ser treinador adjunto de Van Gaal.

Em 2000, é escolhido pelo Benfica para substituir Heynckes após a 4ª jornada.
Muda a presidência de Vale e Azevedo para o Manuel Vilarinho. José Mourinho entra em rotura com a nova direcção e sai do Benfica após 9 jogos.

Na época seguinte, 2001/02, Mourinho começa a trabalhar na União de Leiria, com grande sucesso e em Janeiro de 2002 substitui Octávio Machado no comando técnico do FC Porto. Concluiu a época em terceiro lugar com 11 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.


Mourinho rapidamente identifica os jogadores-chave: Vítor Baía, Ricardo Carvalho, Jorge Costa, Costinha, Deco, Dmitri Alenichev e Postiga. A esta espinha dorsal juntam-se, entre outros, Maniche e Edgaras Jankauskas (Benfica), Paulo Ferreira (Vitória de Setúbal), Nuno Valente e Derlei (ambos da União de Leiria). Com o rigor táctico e a determinação sui generis de Mourinho nasce o Porto Mágico. Em dois anos venceram duas competições europeias e as duas Superligas.
Em 2003, Mourinho ganha o primeiro campeonato português com 27 vitórias, 5 empates e 2 derrotas, vence a Taça de Portugal e conquista a Taça UEFA (contra o Celtic de Glasgow).
No ano seguinte, o FC Porto conseguiu ganhar mais uma vez a Superliga, agora com 8 pontos de vantagem. Perde na final da Taça de Portugal contra o eterno rival Benfica, mas 2 semanas depois triunfa na mais alta prova da UEFA. Derrota o AS Monaco (3-0) na final da Liga dos Campeões (3-0). Em toda a prova o Porto de Mourinho só perdeu com o Real Madrid na primeira fase de Grupos e elimina o Manchester United, Olympique Lyonnais e o Deportivo da Coruña.

Com tal percurso não foi surpresa a cobiça de diversos clubes, entre eles o Chelsea de Abramovich. Em Junho de 2004, torna-se um dos treinadores mais bem pagos do Mundo ganhando cerca de 12 milhões de euros por ano.
Tal como fez no FC Porto, Mourinho constrói uma equipa à sua medida. A fortuna do russo Abramovich ajuda Mourinho na contratação de Tiago, Drogba, Robben e Kezman, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira.
Conquista títulos sem contudo obter a glória de uma conquista europeia ao serviço dos ingleses.

Ganha em Inglaterra a alcunha do “Special One”.

Sai do Chelsea e vai para o Inter de Milão, conquista Itália e a Europa, à semelhança do que tinha acontecido no FC Porto. Vence mais uma vez a Liga dos Campeões … e ganha contrato milionário com o Real Madrid que vai treinar na próxima época.

André Villas-Boas de “discípulo de Sir Bobby Robson” a “olhos e ouvidos de Mourinho”

Luis André Pina Cabral Villas-Boas nasceu a 17 de Outubro de 1977 no seio de uma família de viscondes. O treinador é bisneto de José Gerardo Coelho Vieira Pinto do Vale Peixoto de Villas-Boas, primeiro visconde de Guilhomil.
Em 1994, o jovem André Villas-Boas de 17 anos depara-se com Sir Bobby Robson no seu prédio. Neto de uma inglesa e de um português com estatuto, o pequeno André encheu-se de coragem e meteu conversa com o novo treinador do F.C. Porto. Esta feito o mais difícil.

Bobby Robson ficou agradado com os conhecimentos de André Villas Boas e o domínio da língua inglesa e apontou-lhe o caminho: tirar o curso de treinador. Inicialmente, este preferia seguir Educação Física, abordar o desporto em geral. Mas a oportunidade estava ali, bastava agarrar.

André Villas Boas devorava futebol. Alimentou o amor ao desporto desde cedo, mas faltava-lhe o talento na ponta das chuteiras. Resignou-se. Pegou nos livros, comprou cadernetas e devorou jornais. Todos os dias, lá estava ele no café, a compilar informações sobre os craques dos campeonatos nacionais.

O saudoso treinador britânico foi crucial para o jovem português. André Villas Boas tinha apenas 17 anos, idade insuficiente para tirar o curso na Football Association de Inglaterra e na homóloga de Escócia. Robson falou com o responsável Charles Hughes (um acérrimo defensor da escola do pontapé para a frente) e contornou a questão. Como estágio, o aspirante luso seguiu os treinos do Ipswich de George Burley.

André Villas Boas crescia como técnico e estava pronto para a primeira experiência. Entra no F.C. Porto para treinar as camadas jovens, enquanto tira os vários níveis do curso de treinadores da UEFA.

Do Porto para o Mundo

O cargo de director-técnico da selecção das Ilhas Virgens Britânicas, logo em 2000, permite a Villas Boas conhecer a realidade do futebol nas Caraíbas e crescer, crescer até com as pesadas derrotas.

Um ano depois, o F.C. Porto volta a abrir-lhe as portas.

José Mourinho chega entretanto e reencontra o miúdo que andava sempre com Bobby Robson.
André Villas Boas passa a encarregar-se da observação de adversários. Fá-lo com mestria. Admirador confesso do Championship Manager, desenvolve capacidades no futebol real e transforma-se num valor seguro.


José Mourinho não mais prescinde de André Villas Boas e apresenta o jovem como os seus «olhos e ouvidos». Necessariamente discreto, condição essencial para trabalhar com o «Special One», Villas Boas passa a elaborar dossiers completos sobre os adversários do F.C. Porto. Viria a fazer o mesmo no Chelsea.

O processo era simples. Aparecia nos treinos dos adversários, sempre de forma incógnita, e começava a reunir informações sobre os principais jogadores da equipa. Aliás, de todos os jogadores, se for preciso. Em quatro dias, durante a semana, André Villas Boas compilava todos os dados. Depois, bastava apresentá-los a José Mourinho e jogadores, para estes saberem ao pormenor quem iam defrontar no encontro seguinte.

Mourinho leva Villas Boas do F.C. Porto para o Chelsea, do Chelsea para o Inter de Milão. Aos poucos, André conquista capital de confiança para aspirar a uma carreira a solo. Aos 31 anos, 32 feitos entretanto, a Académica acena-lhe com um convite. O empresário Jorge Mendes intermedeia o negócio. O discurso à chegada, os primeiros resultados e o ar fresco fazem o resto. Esteve perto do Sporting, diz-se, assinou pelo F.C. Porto.

O futuro é dele.

fontes: wikipédia; maisfutebol.iol.pt