Fechou o mercado e terminou provavelmente o maior desafio do FC Porto, nesta época, até à data. Tal como dentro de campo se tem evidenciado uma postura muito defensiva, cautelosa, apesar das vitórias, estes últimos dias de mercado espelhou um FC Porto claramente com o objectivo de proteger as suas mais-valias, que levou a que condicionasse um último ataque ao mercado recrutando o tal avançado tão desejado.
Pinto da Costa tinha dito que o FC Porto não andava à procura de um avançado, mas é bastante óbvio que nestes últimos dias o FC Porto procurou sim uma nova opção para o ataque. Isto só prova que a saída de Falcão, como muitos dizem que foi combinado com o FC Porto, não estava planeada. Se estivesse planeada nem o FC Porto atacaria o mercado ou então apresentaria uma solução de imediato.
E porque não veio um novo avançado? As razões oficiais não sabemos, mas existem alguns factos interessantes que podem explicar o sucedido:
1º - O Atlético de Madrid atrasou o pagamento da primeira tranche das transferências de Falcão e Ruben Micael;
2º - Até ao último momento, estava pendente um possível encaixe acima dos 20M€ da venda de Alvaro Pereira;
3º - No último dia, houve negociações com vista à transferência de Guarin, o que poderia significar a necessidade de ir ao mercado para o meio campo;
4º - Havia ainda a expectativa de uma proposta a cobrir a cláusula por Moutinho, uma vez que o Chelsea procurava fechar Modric o que acabou por não conseguir, tendo-se virado para Raul Meireles;
Para além disso, já existia o condicionalismo dado o timing para procurar um avançado de qualidade. Primeiro porque muitas das opções já tinham jogado nas competições europeias, segundo porque alguns clubes já não estavam dispostos a negociar pois já tinham iniciado as provas oficiais e terceiro a desvantagem de comprar por necessidade o que inflacionaria os passes dos jogadores.
Por estas razões todas é que entendo que a SAD não esteve ao seu melhor nível numa forma global, há que dizer, esta pré-época. Se no caso do treinador geriu de forma rápida, na minha opinião, no caso dos jogadores e em concreto Falcão, Guarin, Ruben Micael, Fernando, Cristian Rodriguez, Alvaro Rodriguez, Beto e Walter já não aconteceu.
No caso de Falcão está mais do que explicado. O grande erro da SAD que para já não teve implicações e esperamos que não tenha no caso de Guarin e Alvaro Pereira no futuro, concretamente nas suas prestações.
Para terminar este tema, a SAD não deveria ter negociado com o Atlético de Madrid. A clausula era 45M e assim ficaria. O Atlético de Madrid tinha perdido Aguero e iria perder Forlan e estava necessitado de um jogador como Falcão. Pagaria, sob pressão os 45M.
No caso de Guarin, aparentemente acabou tudo em manifestações de carinho do jogador ao FC Porto. Curiosamente, não foi bem isso que se tem visto nos últimos jogos, mas ainda assim é possível que este ultimo período de indefinição do jogador possa ser ultrapassado com a renovação e uma grande época pela frente.
No caso de Alvaro Pereira, é talvez o que mais surpreendeu. Era provavelmente um dado adquirido que iria para o Chelsea, a pressão “utilizando o argumento Falcão” dos empresários foi real, mas aqui claramente a SAD corrigiu o erro que tinha feito com Falcão, não aceitando os valores que foram hoje oficializados, ainda que caso o Chelsea tivesse avançado com uma proposta de 25M€, provavelmente teria sido aceite pelo FC Porto, uma vez que já existia um jogador apalavrado para substituir Alvaro Pereira. Acredito no profissionalismo de Alvaro Pereira, acredito que vai estar ao seu melhor nível, mas neste caso, era provavelmente o jogador que fazia sentido vender neste período, e nunca Falcão, face à alternativa que já existia no plantel (Fucile) e a que foi contratada (Alex Sandro).
No caso de Ruben Micael, mais uma vez, olhando agora para o cenário, acabou por não ter impacto na equipa, até porque foi substituído por Defour, mais novo 2 anos, e aparentemente com maior potencial. Mas à data da transacção não concordei pelo facto de ainda existir na altura indefinição nos casos de Fernando, Guarin e mesmo o próprio Moutinho. Ainda assim, continuo a não concordar com os valores envolvidos. O 5M€, que na prática para o FC Porto ficou pelos 4M€, (praticamente o valor que o FC Porto pagou ao Nacional pelos 80% do passe) foi um valor muito baixo. É certo que Ruben Micael era um jogador que iria ter dificuldades para se impor no meio campo do FC Porto, mas tinha renovado até 2015, e se calhar, face às saídas prováveis de alguns jogadores do meio campo na próxima época, poderia ter sido emprestado (tal como o Atlético de Madrid o fez) para garantir um lugar no EURO2012. Assim não entendeu a SAD.
O caso Fernando, foi mais um que não teve qualquer impacto no que diz respeito ao plantel, mas teve nas competições que o FC Porto já teve este ano. Ainda que conte com 3 vitórias em 4 jogos, algumas das vitórias foram sofridas, e Fernando, independentemente das declarações que teve, ao ter ficado de lado, não só o desvalorizou como não permitiu que fosse mais um para atacar os jogos. Com a entrada em campo na Supertaça, aparentemente, o jogador conta para Vítor Pereira e esperamos que possa voltar ao grande nível que já demonstrou.
O caso Walter, foi mais um caso mal gerido pela SAD, com repercussões directas para o jogador e para o FC Porto no que diz respeito à valorização do activo. Mesmo sem novo avançado tinha sido claro que Walter seria sempre 2ª ou 3ª opção, atrás de Kléber e Hulk, tal como o ano passado. Neste caso impunha-se a cedência a um clube, no entanto, questões pessoais podem ter impedido uma saída de Portugal nesta altura. Penso que ainda faz sentido, uma vez que o mercado no Brasil está aberto, uma cedência para um clube brasileiro para que possa competir e um dia voltar novamente ao FC Porto. Para os mais desatentos, Walter há 3 anos atrás foi considerado um dos melhores avançados no Brasil, sobretudo devido às exibições fantásticas na selecção de Sub-20.
No caso de Beto, outro caso caricato. O jogador pediu para sair e não foi possível arranjar um clube nos 2 meses de mercado aberto! Na minha opinião Beto oferece mais garantias que Bracalli e é um dos poucos Portugueses no plantel o que poderá ser determinante para as listas na UEFA.
Por último, Cristian Rodriguez, provavelmente o caso mais caricato e negligente da SAD. Na época passada, entendo que o jogador deveria ter renovado e ter sido emprestado, tal como o clube de Lisboa fez nos últimos dias com alguns jogadores que renovou. Cristian tinha mercado na altura para um empréstimo. As vantagens eram óbvias, depois de uma má época, impunha-se que o jogador competisse (poupava-se o salário de 1 ano) pois vinha aí uma Copa América. Com a renovação, o FC Porto ficaria com mais margem este verão para negociar um jogador que se tivesse competido e com a presença na Copa América, claramente, teria pretendentes. Mas não, o jogador foi incluído no plantel, apenas com mais 2 anos de contrato, as noticias que era um jogador caro e que era transferível multiplicavam-se, não teve oportunidades para jogar e mesmo com a presença da Copa América não valorizou ao ponto de alguém o pretender. Agora, o FC Porto tem em mãos um jogador para uma posição que já conta com vários jogadores, provavelmente o jogador não quer renovar para poder sair dentro de 6 meses a custo zero (não jogar no FC Porto para ele já é habitual) e irá pagar mais 1 ano de salários e ver partir sem retorno um dos jogadores mais valiosos que não foi claramente gerido da melhor forma, enquanto activo da SAD e pessoa.
No que diz respeito aos jogadores contratados neste defeso a palavra que melhor descreve a posição da SAD é Investimento. Sendo assim, não poderíamos aceitar que se vendesse ao desbarato depois do investimento feito. E assim foi, o FC Porto não cedeu nas vendas e investiu forte, quer no plantel actual, quer em novos reforços.
Foi cerca de 42M€ o montante total investido em novos jogadores:
Danilo – 13M; Alex Sandro – 9.6M; Mangala – 6.5M; Defour – 6M; Iturbe – 2.5M; Kléber – 2.5M; Kelvin – 2M; Djalma – 0M; Bracali – 0M.
Com a permanência do meio campo da época passada e da defesa, aparentemente Danilo, Alex Sandro, Mangala e Defour não terão entrada directa no onze, sendo claramente opções de futuro. Estamos a falar de 35.1M de investimento futuro!
Os restantes casos, Kelvin foi emprestado e bem, Djalma foi talvez o reforço que menos se evidenciou, tal como Bracali, Iturbe é uma caixinha de surpresas e Kléber, apesar das oportunidades dadas, não demonstrou até agora qualidade para se impor na equipa principal.
Provavelmente a grande esperança reside em Iturbe, mas face ao fecho de mercado o FC Porto conta com 8 jogadores de ataque, considerando o esquema 4X3X3, o que pode limitar a integração mais desejada de Iturbe.
Ainda assim, destacar o excelente negócio da SAD (nem tudo foi mau nesta pré-época) na contratação de Mangala e Defour. Os valores envolvidos foram de facto baixos para o valor dos atletas o que antevê uma valorização grande dos activos, uma vez que foi adquirido a totalidade do passe, bem como a contratação de Iturbe, que é considerado pela opinião publica como uma das maiores promessas do futebol mundial.
Ainda que o saldo seja negativo das entradas e saídas (cerca de 7M€, se somarmos a mais que provável compra dos 50% do passe de Otamendi até Setembro, serão 11M€, e contabilizando os 22M€ de aquisição de passes), o FC Porto conseguiu reduzir em número considerável os seus quadros de jogadores. Estamos a falar de 15 jogadores (com excepção dos juniores dispensados) que já não fazem parte dos quadros face a 9 novos jogadores contratados.
Ainda que o saldo seja de menos 6 jogadores nos quadros seniores, as renovações que avançaram com Hulk, James, Rolando não deverão traduzir-se numa redução da massa salarial do FC Porto comparativamente com o ano passado.
O FC Porto conta com 26 jogadores no plantel principal e 17 emprestados, dos quais 7 a clubes estrangeiros e os restantes a clubes da primeira Liga (8) e segunda Liga (2).
Ainda que concorde com esta politica, apesar de ter visto partir alguns jovens de valor da formação, tais como, Josué, Rabiola, Bura, Diogo Viana, Rui Pedro e até mesmo Orlando Sá, esperam todos os portistas que a SAD ao ter rescindido os contratos tenha adquirido uma percentagem futura, pois são jogadores muito novos, a maior parte deles não competiu o suficiente para mostrar o valor que têm.
Em resumo, apesar das indefinições e da limitação que o FC Porto teve, imposta por fora, mas também por inoperância da SAD em antecipar algumas situações, o plantel não sofreu muitas alterações tendo sido atingido o objectivo de manter o grupo de trabalho da época passada.
Excepção feita a Falcão e Ruben Micael, mais no primeiro caso, sector que o FC Porto, face à ausência de um reforço de qualidade, terá que rever a forma de jogar no esquema 4X3X3, pois uma coisa é jogar com Falcão, outra coisa é com Kléber. E se temos jogadores mais móveis como James, Iturbe e até o próprio Djalma e talvez Cristian Rodriguez, penso que o futuro será jogar num esquema semelhante ao do Barcelona, com um tridente móvel, dinâmico, com capacidade de desequilíbrio individual e boa finalização.
Uma situação para ver já no dia 6 frente ao União de Leiria, num jogo adiado para uma data que não faz muito sentido, quando dia 9 está marcado novo confronto para a Liga com o Vitória de Setúbal.
Finalmente Vítor Pereira poderá trabalhar com tranquilidade e projectar o futuro com os jogadores que tem à disposição. Não vejo um plantel mais fraco, face à saída de Falcão, isto no caso de não jogarmos com Kléber no imediato.
Depois das criticas, das dúvidas que todos os portistas, incluindo eu, tivemos nos últimos dias e de não concordar com algumas decisões da SAD, tempo agora de apoiar estes jogadores e a equipa técnica. Vai ser um ano diferente do anterior, mais competitivo a nível nacional e mais difícil a nível internacional, mas para já resta-nos apoiar forte o nosso FC Porto.
Em Janeiro será feita nova avaliação e é bem possível que algumas das situações que não foram resolvidas agora, sejam nessa altura resolvidas de forma definitiva.
Lista dos jogadores inscritos para a Liga dos Campeões:
Guarda-redes: Helton, Bracalli;
Defesas: Sapunaru, Fucile, Rolando, Mangala, Otamendi, Maicon, Alvaro Pereira;
Médios: Souza, Fernando, Guarín, Belluschi, João Moutinho, Defour;
Avançados: Cristian Rodríguez, James Rodríguez, Djalma, Varela, Hulk, Kléber;
João Costa, Rafa e Podstawski foram os três jogadores da lista B inscritos pelo FC Porto na Liga dos Campeões, de acordo com a documentação da UEFA a que o Maisfutebol teve acesso. Um guarda-redes, um defesa e um médio, curiosamente todos inscritos na Liga portuguesa no último dia de mercado (renovações de contrato).
Iturbe, Walter e Alex Sandro fora da lista
Quanto a Walter e Alex Sandro, é uma consequência da falta de jogadores portugueses no plantel, mais concretamente da nossa formação. Vítor Pereira teve assim de gerir a questão dos extra-comunitários, na escolha dos atletas a inscrever. A UEFA só permite a inclusão de 17 jogadores não portugueses.
Quanto a Iturbe a ausência, ainda que o jovem integre uma lista de 33 elementos pré-convocados pela Argentina para os Jogos Pan-Americanos, foi clara opção técnica, ainda que acredite por limitação do que já tinha sido antecipado, excesso de estrangeiros e escassez de jogadores da formação. Alguém tinha que ficar de fora, e entre Kléber e Iturbe, uma vez que Walter já estava de fora, a opção foi por uma posição central do ataque.
Os Jogos Pan-Americanos 2011 realizam-se em Guadalajara (México) e têm início marcado para 14 de Outubro. A confirmar-se a presença de Juan Iturbe, o FC Porto tem sempre a ultima palavra pois não é uma prova reconhecida pela UEFA/FIFA, na selecção da Argentina, o esquerdino será obrigado a perder alguns jogos do FC Porto.
Castro e Sérgio Oliveira poderiam ter ficado no plantel.
Mas o futebol mudou e apostamos em jovens da mesma idade mas extra-comunitários como Souza.
Esta questão só pode ser resolvida pela UEFA, pois tirando o Barcelona, e alguns clubes Holandeses e Franceses, todos os outros têm estes problemas de extra-comunitários.
Em França há uns anos operou-se uma mudança nos regulamentos. Obrigaram os clubes a incluir jogadores que terminavam a idade júnior no plantel sénior, e impuseram limites aos extra-comunitários nos clubes. Resultado foi uma França com diversos títulos no futebol sénior e de escalões.
Nós estamos a desperdiçar jogadores portugueses. Sílvio e Pizzi foram para o Atlético de Madrid. Pelé que vagueava no Belenenses foi antes do mundial contratado pelo Génova e Milan em parceria. Danilo já havia rumado a Itália. A realidade do futebol europeu mudou, mas os regulamentos não.
Esperamos que esta gestão de plantel ao cargo de Antero Henrique não afecte o desempenho da equipa na Champions, cujos euros são essenciais para equilíbrio orçamental.
Força Porto Ricardo Jorge