quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sem emoção mas tranquilo e controlado


O FC Porto entrou com o pé direito na Liga Europa levando de vencida a equipa do Rapid e somando os primeiros 3 pontos nesta competição, que lhe permite colocar-se no primeiro lugar do grupo, uma vez que apesar da vitória do Besiktas, o FC Porto marcou mais golos.

Foi um jogo sem emoção, nada comparável com o último jogo contra o SC Braga, mas o adversário não ajudou. Muito fraquinho este Rapid, que só em momentos de desconcentração motivado pelo excesso de confiança, é que conseguiu criar escassos lances de perigo. Ainda assim, numa apreciação geral o FC Porto, de forma inteligente, soube gerir o esforço, os jogadores, controlando do início ao fim.

Villas Boas, surpreendeu ao colocar no onze Ruben Micael e Cristian Rodriguez. Era o primeiro jogo da competição, importantíssimo não perder pontos, mas ainda assim, a confiança e a tranquilidade do FC Porto, jogadores e equipa técnica é tão elevada, que Villas Boas apostou e apostou bem.

Esta aposta permitiu dar confiança e ritmo a Cristian Rodriguez, Fucile e Ruben Micael. Todos eles cumpriram, e destaco Cristian e Ruben pela acção que tiveram em 2 dos 3 golos do FC Porto. Por outro lado, permitiu que Belluschi, Varela e Sapunaru, pudessem descansar um pouco.

Melhor segunda parte que primeira. Na primeira parte o FC Porto entrou com ritmo baixo, como tem sido mais ou menos natural, mas marcou no período que costuma marcar, perto da meia hora, por Rolando, que já tinha ameaçado. A partir do golo, notou-se alguma quebra e desconcentração que o Rapid aproveitou para criar 2 lances de perigo. Villas Boas percebeu e a partir daí e sobretudo depois do intervalo, o FC Porto voltou a controlar o jogo e com uma concentração muito boa, que permitiu circular a bola e abrir mais espaços. Com naturalidade chegou ao segundo golo e já com algumas alterações efectuadas na equipa, naquela que foi a melhor jogada do encontro só podia terminar com um grande golo de Ruben Micael, que curiosamente, combinou com Cristian Rodriguez, as duas grandes novidades no onze inicial.

Foi um FC Porto qb, mas não perdeu os índices de concentração, sobretudo a defender bem e a aproveitar as poucas oportunidades de golo.



Alguns notas individuais:

HELTON (3) – Praticamente não efectuou qualquer defesa digna desse nome. Ainda assim apanhou 2 sustos, mais por culpa da defesa.
FUCILE (3)– Regresso á titularidade. Não subiu muito no relvado, principalmente na segunda parte. Ideal para ter ganho ritmo e confiança.
ALVARO PEREIRA (3) - Tal como Fucile, hoje não tivemos o Alvaro habitual. Na primeira parte com Cristian Rodriguez não conseguiu desequilibrar e na segunda parte idem. É de facto dos jogadores com mais minutos nas pernas. É urgente, Villas Boas, começar a rodar Alvaro Pereira.
MAICON (3) – Um dos sustos que Helton teve, foi derivado à má colocação de Maicon que se deixou antecipar pelo seu adversário. Excesso de confiança fez com que a concentração no final da primeira parte tenha baixo. Na segunda parte não deu hipóteses.
ROLANDO (4) – Neste jogo esteve melhor que Maicon. Mais concentrado na primeira parte e muito seguro na segunda parte. Teve 2 boas oportunidades no ataque e numa delas marcou mesmo. Marcou pontos neste jogo.
FERNANDO (3)– Não tão exuberante como nos últimos jogos, muito derivado à falta de qualidade do adversário. Jogou tranquilo, o suficiente para transmitir segurança no meio campo. Já merece ter algum descanso.
MOUTINHO (4) – O melhor jogador em campo. Não marcou, mas foi fundamental no equilíbrio do meio campo. Muito bem a defender, a recuperar e até avançou no terreno mais vezes do que o normal. Ainda que não tenha tido lances de espectacularidade, foi muito consistente. Parece que joga no FC Porto há vários anos.
RUBEN MICAEL (3)– Regressou á titularidade e apesar de demonstrar um ritmo baixo, com algumas perdas de bola, foi melhorando ao longo do tempo, ganhou confiança e marcou o melhor golo da noite. Com mais minutos será uma opção forte para a titularidade.
HULK (3)– Não foi o Hulk dos últimos jogos, decisivo, desequilibrador, mas sim à semelhança de toda a equipa, muito mais discreto, ainda assim, arrancou algumas jogadas, uma delas que foi travado dentro da área que seria grande penalidade.
CRISTIAN RODRIGUEZ (3) – Já merecia esta titularidade. Apesar de não ter tido explosões como Varela e Hulk têm tido, lutou, correu e mais do que isso assistiu para os golos de Rolando e Ruben Micael. Precisa de mais minutos, mas com Hulk e Varela na forma como estão, vai ser complicado.
FALCÃO (3) – Desta vez, nem Hulk nem Cristian Rodriguez canalizaram o ataque pelos flancos o que fez com que Falcão tivesse poucas oportunidades. Mas deixou a sua marca, mais uma vez, lutando muito e marcando. Cumpriu.
BELLUSCHI (3) – Entrou para o lugar de Hulk logo após o 2º golo do FC Porto. Trouxe qualidade técnica ao meio campo, entrou com muita tranquilidade e ainda teve uma excelente oportunidade para marcar, naquele que seria o melhor golo do jogo. Respira confiança.
WALTER (2) – Pouco tempo em campo. Substituiu Falcão, e somou mais uns minutos. Poucas oportunidades para se mostrar, numa altura que o FC Porto tinha o meio campo muito reforçado. Aguarda-se por mais minutos para ver as qualidades deste jogador, mas dá para perceber que gosta de jogar descaído e fora da área, o que se enquadra claramente no sistema de 4X4X2.
CASTRO (2) – Uma oportunidade para se mostrar aos adeptos. Escassos minutos e mais uma vez fora da zona onde habitualmente joga e é uma mais valia, que é no meio campo e no lugar de Moutinho ou eventualmente no lugar de Fernando.

Quanto ao árbitro, andou ao ritmo do jogo. Sem grande trabalho, mas 2 erros graves. Na apreciação que fez a um corte perto da área com a mão, não entendeu como justificativo para cartão amarelo e não conseguiu perceber um penalti clarissimo sobre Hulk. Mesmo sem influência no resultado até a UEFA pelos vistos anda desatenta à prestação dos árbitros.

Última nota de destaque para Villas Boas, que mais uma vez demonstrou que estuda muito bem os adversários e a confiança que passa para a equipa é fundamental.



O público compareceu em bom número, acima dos 30 mil espectadores para uma quinta-feira à noite. Os jogadores merecem este apoio, sobretudo fora do Dragão, pelo que será fundamental já na próxima segunda-feira uma presença forte na Madeira.

Ricardo Jorge

6 comentários:

Armando Pinto disse...

Boa continuação evolutiva que nos vai de certeza trazer uma grande época.
... e a Sic e sua gente não conseguem sequer disfarçar o seu facciosismo... como sinal ainda dos antigos "donos da bola"?!

http://longara.blogspot.com/

Carla Correia disse...

Um jogo tranquilo, vitória tranquila...
Só não podia mais ouvir o comentador da SIC trocar o nome de Falcao, por três vezes o chamou de Gaitan.... É de bradar aos céus!! Pelo menos tentem disfarçar...

dragao vila pouca disse...

Apetecia-me falar só dos últimos vinte minutos, curiosamente, depois da saída de Hulk, pois foi, de longe, o melhor período do F.C.Porto. Foi com a saída do "Incrível" - no Estádio não me apercebi, mas disseram-me que saiu mal disposto e sendo assim, aconselho-o a tomar Rennie ou Kompensan, que a azia passa logo. Estava complicativo, cansado, trapalhão e foi muito bem substituído! - e a entrada de Belluschi, que o F.C.Porto começou a jogar melhor, de uma forma mais consistente, mais organizada, com jogadas bonitas e o terceiro golo, belíssimo, foi uma espécie de cereja em cima do bolo. Não que durante o restante período do jogo, os austríacos tivessem causados muitos problemas, não, não causaram, apenas dois lances perigosos a acabar a primeira-parte e ficou por aí o Rapid, mas porque o conjunto de Villas-Boas, principalmente e de forma notória, na etapa inicial, embora dominasse, jogava devagar, muito pelo meio, complicava, queria resolver individualmente e o jogo arrastava-se, era pouco atractivo, sonolento, enfim, não entusiasmava os cerca de 30 mil espectadores que se deslocaram ao Dragão. Melhor na segunda-parte, melhor ainda, como referi, nos últimos vinte minutos. Aí sim, o futebol praticado já teve qualidade, já entusiasmou, já esteve dentro dos níveis exigíveis à equipa portista e mudou o estado de espírito dos adeptos, pois as últimas impressões é que ficam.

Resumindo: compreendo que seja preciso poupar - o próximo jogo do campeonato, por muitas razões que falarei na altura própria, é dificílimo...; aceito que o facto do adversário nunca ter mostrado grandes argumentos, também ajude a uma atitude mais relaxada, mais confiante; mas, atenção, só se consegue motivar e levar público ao Dragão, juntando, já não digo sempre, às vitórias, bons jogos. Se as boas exibições forem apenas de forma esporádica, a motivação e mobilização fica mais difícil. Para que o estado de graça se mantenha, é preciso ter sempre presente o passado recente: também ganhamos, conquistamos títulos, mas o entusiasmo...

Uma palavra final para a extraordinária claque do Rapid de Viena... Que belo exemplo de fair-play deram os austríacos, apoiando sempre, mesmo que a derrota, desde muito cedo, se adivinhasse... Muito bem!

Um abraço

P. Ungaro disse...

Esses gajos da comunicação social nem se conseguem conter !!! sai-lhes vermelho por todos os poros !!!

Um abraço

http://www.fcportonoticias-dodragao.blogspot.com/

Dragus Invictus disse...

Bom dia,

Ontem fizemos um jogo quanto baste para levar de vencida o Rapid de Viena, que ofensivamente poucos problemas nos criou.

Na primeira parte, dominamos o jogo sem deslumbrar, com Hulk individualista e menos bem que nos anteriores jogos, mas "tantas vezes vai o cântaro à fonte, que lá deixa a asa" e assim foi, num dos inúmeros cantos conquistados acabamos por chegar à vantagem na primeira parte.

Na segunda parte, e depois da entrada de Belluschi melhoramos imenso, e o resultado poderia ter sido mais volumoso.
Realce para as excelentes prestações de Ruben e Rodriguez, jogadores pouco utilizados esta época.
E Moutinho que rubricou uma excelente exibição.

O golo de Ruben é uma excelente jogada de circulação de bola e tabelas, com uma finalização fantástica.

Mais uma vez a SIC demonstrou o péssimo serviço que presta. Primeiro estavam sempre a antever a substituição de Cebola, que no entender deles estava a jogar mal, quando ele foi a par de Ruben um dos mais empenhados e melhor em campo.
Depois estão sempre a falar no clube deles, ao ponto de gritar golo de Gaitan, quando Falcao marcou ... lamentável.

Abraço

Dragaopentacampeao disse...

Jogo com adversário acessível, permitindo gerir o plantel (descanso merecido para Sapunaru, Belluschi e Varela e minutos para Fucile, Rúben, Rodríguez, Castro e Walter).

Depois de um jogo intenso frente ao Braga, foi pois natural quer esta gestão quer até o menor fulgor competitivo da equipa, que apesar disso, desenvolveu momentos bem interessantes, com destaque para Moutinho (a melhor prestação com o nosso emblema até ao momento), Rúben, Fernando e Rodríguez.

Vitória confortável e justa, nesta «cavalgada» de vitórias consecutivas em jogos oficiais (dezoito), sem propaganda nem folclore.

Um abraço