Mostrar mensagens com a etiqueta Figuras Históricas Modalidades. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Figuras Históricas Modalidades. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 22 de maio de 2012

Dr. Nélson Puga "Joguei pela seleção com a camisola do FC Porto por baixo"

A propósito da entrevista publicada na edição de hoje do jornal "O Jogo", pelo Dr. Nélson Puga, vamos aqui recordar a modalidade, na qual foi uma figura histórica e proeminente - O Voleibol.

O Voleibol portista foi já uma modalidade querida por uma boa franja dos associados e adeptos do Clube.

Modalidade instituída no clube em 1943, o Voleibol no FC Porto deixou de ser praticado em 1990, depois de ter disputado a primeira eliminatória da Taça dos Campeões Europeus em 1989, na também extinta Checoslováquia, já depois de ter feito a dobradinha na época de 1987/1988, conquistando o campeonato nacional e a Taça de Portugal. Nesta equipa era atleta o Dr. Nelson Puga.

Grandes jogadores, grandes equipas, seccionistas e dirigentes dedicaram-se à modalidade, dos quais se destacam os atletas Carlos Marques, Mário Rui Cruz, Lima Teixeira, Nélson Puga, José Carlos Vilarinho, Lado Teixeira, Luís Silva e José Moreira, os treinadores Professores Manuel Puga e José Moreira e os seccionistas Eduardo Almeida e Rui Sá.

Equipa que fez a dobradinha na época de 87/88, na qual se destacava o Dr. Nelsón Puga
Em cima: José Martins (Director), Sá (Seccionista), José Carlos Vilarinho, Alexandre Mansur, Paulo Borges, Miguel Xisto, Nelson Puga, Valentin Nenov
Em baixo: Fernando (Roupeiro), Miguel Saúde, José Carlos Teixeira, Avelino Azevedo, António Rocha (Nita), Leonel (Massagista), Rui Silva


O FC Porto ainda hoje é um dos clubes mais titulados na modalidade em Portugal, quer em seniores, quer nos escalões de formação, sendo mesmo o mais titulado entre os chamados três grandes.

Palmarés:
Séniores
Campeonato Nacional de Voleibol: 9
1968/69; 1969/70; 1970/71; 1972/73; 1974/75; 1976/77; 1978/79; 1985/86; 1987/88
Taça de Portugal (voleibol): 6
1967/68; 1969/70; 1970/71; 1971/72; 1986/87; 1987/88

Juniores
Campeonato Nacional de Voleibol: 14
1965/66; 1967/68; 1968/69; 1969/70; 1970/71; 1976/77; 1977/78; 1978/79; 1979/80; 1981/82; 1983/84; 1984/85; 1985/86; 1986/87

Juvenis
Campeonato Nacional de Voleibol: 8
1965/66; 1966/67; 1967/68; 1968/69; 1969/70; 1975/76; 1976/77; 1977/78

Iniciados
Campeonato Nacional de Voleibol: 1
1978/79



O Dr. Nélson Puga, mantém uma ligação próxima com o FC Porto, agora na condição de membro do Departamento Médico do futebol do clube. 

A sua história azul e branca contempla, no entanto, uma bem sucedida carreira enquanto atleta de Voleibol, tendo conquistado vários títulos de campeão nacional, bem como assinado presenças regulares na selecção portuguesa da modalidade. Praticante de voleibol durante 20 anos, representou clubes como o CDUP, Leixões SC, AA S. Mamede e FC Porto, e vestiu a camisola da selecção nacional por 150 vezes.

O antigo jogador recorda com saudade os seus tempos de voleibolista e diz ainda que o voleibol é uma paixão e jogava sempre que tinha oportunidade.

É autor de uma frase que serve de exemplo a todos os praticantes desta modalidade que é a seguinte:
"Os adversários apenas existem do outro lado da rede."

Entrevista do Dr. Nélson Puga publicada hoje no Jornal "O Jogo"

Puga em 87
O futebol nem era um sonho

Nélson Puga tinha 27 anos em maio de 1987 e já conciliava a medicina com o voleibol e com as responsabilidades familiares. 
O resumo é do próprio: 
"Era médico, jogava voleibol no FC Porto e na selecção, e fui pai pela primeira vez." 

Múltiplas tarefas para alguém que não fazia, porém, grandes planos para o futuro.

"Queria apenas ter uma família bem-sucedida e poder ser um bom médico, ligado à Medicina Desportiva e ao FC Porto", revela hoje, acrescentando que, na altura, não conseguia perceber o percurso que estava a ser construído.

"Já era médico do clube nas modalidades, mas nunca pensei que isso viesse a acontecer no futebol. Foi ainda melhor do que algum dia sonhei", conclui. 

O que se seguiu é, seguramente, mais prolongado do que a narrativa contida nestas linhas, mas há já muitos anos que o nome de Nélson Puga está colado ao do FC Porto, multiplicando a sua projecção a partir do momento em que passou a fazer parte do corpo clínico da equipa profissional de futebol.

"Joguei pela seleção com a camisola do FC Porto por baixo"

Domingos Gomes, José Carlos Esteves, Nélson Puga. Os médicos do FC Porto dos últimos 25 anos vestem a camisola. No caso de Puga, a metáfora pode mesmo ser usada em sentido literal, pois foi isso que aconteceu na noite da final da Viena, em pleno pavilhão de Espinho.

Onde estava no 27 de maio?
Em estágio da selecção nacional de voleibol, em Espinho, e com jogo marcado contra o Luxemburgo nesse mesmo dia, para a mesma hora da final de Viena. Felizmente, por minha influência junto do Presidente da Federação de Voleibol, conseguiu-se alterar a hora do encontro para mais tarde. Vi o jogo com o meu colega de quarto, outro grande portista, o Humberto Silva, e no final fomos a pé pela rua em direcção ao pavilhão do Espinho, a comemorar a vitória com os muitos portistas da selecção e com todos os outros que começaram a aparecer na rua. Também ganhámos nessa noite, por 3-0, e fiz questão de jogar com a camisola do FC Porto por baixo da camisola da selecção. Além disso, a cada ponto que fazíamos, os vários portistas, comemorávamos com gritos de "Poortoo", como se estivéssemos a festejar na Baixa. No final, regressámos novamente a pé, a celebrar, agora com muito mais adeptos, e só não nos deixaram ir para a Baixa, como pretendíamos, porque tínhamos outro jogo no dia seguinte. O barulho da festa em Espinho ouviu-se, contudo, até altas horas.

Que tipo de contacto tinha, enquanto figura do clube, com a equipa de futebol? Que recorda dessa ligação?
Na altura, nenhum; era apenas sócio. Mas já não faltava a nenhum jogo do futebol sénior e jogava voleibol no clube. Aliás, nesse ano ganhámos o Campeonato e a Taça de Portugal de voleibol.

Tendo um conhecimento transversal do antes e do depois, que mudanças identifica?
Sobretudo de mentalidade. O presidente fez-nos acreditar que com mais trabalho e mais união poderíamos ultrapassar barreiras impensáveis.

Que tipo de loucuras cometia, nesses anos, pelo FC Porto?
Todas, como as de qualquer outro adepto muito crente. Nunca perdi um jogo do FC Porto por motivos profissionais (alterava as urgências nem que fosse com um colega a substituir-me umas horas), nem familiares, excepto quando casei, a 28 de Setembro de 1985. Mas nem por isso deixámos de festejar o triunfo por 3-0 sobre o Chaves. Já agora, acrescento que o meu primeiro filho nasceu no ano do FC Porto Campeão Europeu (1987) e o segundo num ano em que fomos Campeões Nacionais (1990). Aliás, enquanto assistia ao parto, que coincidiu com um jogo fora do FC Porto, a um domingo, estava a ouvir o relato… Tudo correu mais fácil quando o FC Porto marcou o segundo golo. Ganhámos por 2-1, em Santo Tirso, e meia hora depois nascia mais um dragão feliz.

Para quem passou pelas épocas em que o FC Porto pouco ganhava, como foi a inversão do ciclo e o que a sustentou?
À data, também acompanhava muito as outras modalidades do clube, e no vólei, por exemplo, que era treinado pelo meu pai, já via o FC Porto a ganhar e a ser mais forte do que os outros. Foi só esperar que no futebol isso também passasse a acontecer.

Qual é a sua primeira memória do FC Porto, do momento em que percebeu que era portista?
Lembro-me que ia muitas vezes às Antas com o meu pai, e ao futebol, aos domingos, com ele e com o meu avô materno. Aliás, tenho uma foto minha, com apenas três anos, em pleno relvado do Estádio das Antas.

Que características estão na base da afirmação do clube e são comuns a estes últimos 25 anos?
Humildade, trabalho, união, luta, competência e defesa intransigente das nossas causas.

Sendo atleta do clube, costumava ver os jogos no estádio? Guarda alguma memória da campanha para Viena?
Vi todos os jogos no nosso Estádio das Antas, excepto dois: o primeiro, porque não se realizou lá (jogámos em casa emprestada, no Estádio dos Arcos, onde fiz questão de marcar presença); e o segundo, a contar para as meias-finais, contra o Dínamo de Kiev, porque estava na Suíça com a selecção de voleibol. Tive a sorte de, pelo menos, poder ver o jogo em directo na televisão (recordo-me que em Portugal o jogo não foi transmitido; só pôde assistir quem esteve nas Antas).

O que diferenciou a campanha de 1987 da de Basileia, três anos antes?
Julgo que fomos mais realistas e acreditámos que podíamos vencer. Foi o primeiro grande salto internacional, o mais importante e simultaneamente o mais difícil.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Natação * Recordar Teresa Figueiras

Recordamos aqui Teresa Figueiras uma das figuras históricas da natação, uma modalidade que muitas alegrias e títulos tem proporcionado ao FC Porto.

Teresa Figueiras foi multicampeã, internacional, recordista nacional e Medalha de Valor Desportivo do F.C.Porto. Durante a década de 80 destacou-se como uma das nadadoras mais carismáticas da natação nacional e do FC Porto em particular. Depois de abandonar a sua carreira desportiva foi treinadora no FC Porto. Actualmente é professora no ISMAI, não estando ligada ao FC Porto mas, como ela disse numa entrevista ao site fcpnatacao.com em Julho de 2007:
"O meu Desporto é a Natação e o meu clube o FC Porto".

P(fcpnatacao): Fale-nos um pouco de si: onde nasceu, idade, habilitações e a sua actividade profissional actual.
Nasci no Porto (em Paranhos) no dia 14 de Fevereiro de 1965 às 8.00h (hora de muitos treinos pela vida fora…). Sou licenciada em Educação Física e Desporto, Mestre em Ciências do Desporto e Doutoranda em Psicologia do Desporto (tudo pela Universidade do Porto). Hoje em dia sou professora do Curso Superior de Educação Física e Desporto do Instituto Superior da Maia (ISMAI); paralelamente sou professora de actividades aquáticas no Maia Club e coordeno as actividades curriculares e extra-curriculares de natação do Colégio Luso Internacional do Porto (CLIP).
Sou casada com um ex-nadador, também do FCP, José Meinedo e temos uma filha de 6 anos que se chama Francisca.

P(fcpnatacao): Com que idade e onde começou a praticar natação?
Comecei a nadar com 6 anos (a aprender) no FCP. Aos 7 anos era pré-infantil (actual categoria de cadetes), nadadora do Professor Filipe Vaz. Aos 8 anos fui pela 1ª vez à Suiça nadar representando Portugal. Começava a era dos Golfinhos das Antas, da qual me orgulho.

P(fcpnatacao): Lembra-se da primeira sua primeira prova?
Perfeitamente. 25 Costas (que viria a ser a minha técnica nº 1), nadei na pista 8 da antiga piscina (quando os blocos ainda eram de pedra e do lado da piscina média e não do lado do ginásio), fiquei em 1º lugar.

P(fcpnatacao): Desportivamente, qual o seu maior feito?
Não sei bem responder a esta pergunta. Os recordes em diferentes provas, mas principalmente Costas e Estilos, a longevidade desportiva, as universíadas no Japão, as dezenas de competições internacionais (taças latinas, campeonatos da Europa e do Mundo).

P(fcpnatacao): O que lhe deu mais satisfação enquanto nadadora?
O facto de ter pertencido a uma geração que foi, na minha opinião, uma das grandes responsáveis pelo impulso nacional e internacional que a Natação teve nos últimos anos e uma vida desportiva extraordinária em termos de experiências e amizades que condiciona até hoje a minha maneira de pensar e estar na vida. As vitórias e os recordes, claro; também ter feito parte da equipa do FCP que se destacava no espírito de equipa, no carisma, na vontade de vencer e no desportivismo.

P(fcpnatacao): E momentos maus? Também os teve?
Tive. Poucos, mas também eles enriquecedores. O que mais me custou não foi o que não consegui por não ser capaz, foi o que não consegui porque não me deixaram. No topo desta lista está a ausência dos Jogos Olímpicos de Moscovo (era demasiado nova) e dos Jogos Olímpicos de Los Angeles (não houve vontade política, face às circunstâncias especiais do processo).

P(fcpnatacao): Como eram na altura as condições de treino?
Treinávamos mais, principalmente porque as metodologias de treino eram diferentes, o que fazia incrementar as cargas de treino ditas de "resistência" (mais horas de treino); o treino em seco era também mais duro (diria menos eficaz) face aos conhecimentos da altura. De resto tínhamos piscina, ginásio e muita vontade.
As grandes dificuldades de conciliar os estudos com a Natação só apareceram na faculdade, dificuldades estas que me parecem hoje menores, todavia consegui fazer a minha licenciatura a nadar, embora a um nível desportivo mais baixo. 

P(fcpnatacao): Como conseguia conciliar o treino de alta competição com os estudos?
Com determinação, muita organização e algum espírito de sacrifício. Aos jovens de hoje talvez lhes seja pedido, desde mais cedo, que tenham boas notas (os pais também se preocupam com isso mais cedo), mas a verdade é que muitas vezes não organizam a sua vida de modo a manter os estudos sempre em dia. Trata-se de estar atento às aulas, fazer os trabalhos no próprio dia e estudar regularmente.

P(fcpnatacao): Quais eram as suas provas preferidas?
100m Costas, 200 Costas, 200m Estilos e 400m Estilos; e ainda as provas de estafeta, as quais adorava nadar…Mas verdade, verdadinha, eu queria era nadar (e desde que estivesse em forma, sentia prazer em competir).

P(fcpnatacao): Quem eram as suas principais rivais?
Nadei com muitas nadadoras excepcionais que só enriqueceram a minha carreira, não seria capaz de as citar a todas aqui. Interessa dizer que fiz amizade com todas elas e que até hoje mantenho contacto com muitas.

P(fcpnatacao): Conte-nos uma história, uma situação engraçada em que, de alguma forma, se tenha envolvido ao longo da sua carreira como nadadora.
Lembro-me de participar numa das competições internacionais mais importantes da altura em piscina de 25m, o Meetting de Paris (isto no início dos anos 80, já não era propriamente uma caloiraça), e de ter sido apurada para a final A dos 100m Costas. Depois da apresentação dos atletas, já no bloco de partida, comecei a tirar o fato-de-treino e não sei muito bem como, o laço das minhas calças transformou-se em nó, de tal forma apertado que eu não consegui tirar as calças: o cronometrista da minha pista tentou ajudar-me, o da pista ao lado também, e dali a pouco já estava a piscina toda à minha espera (e a rir-se) e eu uma pilha de nervos. Os dois cronometristas tanta força fizeram que acabaram por me puxar as calças para baixo sem desapertar o nó. Fiquei com a pele toda esfolada e deve ter sido por me arder dentro da água que bati mais um recorde nacional.

Teresa Figueiras P(fcpnatacao): O que sentiu quanto terminou a sua carreira como nadadora de competição?
Estou aqui a responder a esta pergunta com os olhos postos numas fotografias (que estão emolduradas) da última prova oficial que nadei, a prova de 4x100m Livres nos meus últimos Campeonatos Nacionais de Verão (foi nos Olivais). Lembro-me de o locutor de serviço ter anunciado que aquela seria a minha última prova e de a minha equipa estar a gritar por mim, e ainda toda a bancada do público e as outras equipas estarem a bater palmas. Íamos em 2º lugar quando parti para o último percurso e apesar de ter feito o meu recorde pessoal aos 100m livres ficámos em 2º lugar (por muito pouco…). Aquele momento foi fantástico, todos os nadadores, todos os treinadores e demais presentes me cumprimentaram e senti-me aí reconhecida dos meus muitos anos de nadadora. Depois veio a nostalgia que rapidamente canalizei em motivação para a minha carreira de treinadora, uma das minhas grandes vocações. Eu continuo a sentir-me “nadadora” na vida. 

P(fcpnatacao): Em que medida a prática da natação de competição influenciou a sua personalidade?
Estou convencida que a minha personalidade e a minha maneira de estar na vida foram muito, mas mesmo muito, influenciadas pela prática da Natação. A capacidade de lutar pelo que quero e contra as adversidades, a garra, a perseverança, a pontualidade, a auto-estima e a alegria são aspectos que aprendi a desenvolver com a prática da Natação e que tento manter até hoje.

P(fcpnatacao) :Teve um Jantar de Homenagem com a presença do Presidente, da Direcção do Clube e de muitos amigos, no qual foi galardoada com a Medalha de Valor Desportivo do F.C.Porto. Que significado teve para si esse importante reconhecimento?
Foi um momento muito importante. Tão importante que o sinto renovado em cada ano que passa. O Sr. Presidente é uma figura que muito admiro, pelo que fez pelo FCP e acima de tudo pelo que tem feito pela Cidade e pelo orgulho de ser do Norte e todos os amigos que estiveram presentes continuam a ser meus amigos. Tal como julgo que já terá ficado implícito, a Natação não é algo que passou, é algo que vive dentro de mim, mesmo não estando hoje directamente ligada à modalidade em termos competitivos, aquele momento foi uma passagem, não um final.

P(fcpnatacao) É casada com José Meinedo, outra glória da Natação do F.C.Porto e têm uma filha, a Francisca. Dar-lhe-ão uma orientação desportiva equivalente à que tiveram?
Para já a formação desportiva é aquela que se faz no ensino pré-escolar com uma modalidade extra, que por acaso não é a Natação, já que a Francisca por motivos de saúde não tem podido (nos últimos 2 anos) praticar regularmente a modalidade. Quando puder, irá obrigatoriamente aprender a nadar e terá que praticar um desporto regularmente. Todavia, a escolha não será nossa, terá simplesmente o nosso apoio, seja numa modalidade de competição ou de recreação.

P(fcpnatacao): Em 1983/84, interrompeu os seus estudos, tendo em vista a preparação para a obtenção de mínimos para as olimpíadas de Los Angeles, o que não veio a acontecer. Como comenta hoje essa opção e que conselho daria a um nadador que persiga actualmente o objectivo olímpico?
Foi uma opção da qual não me arrependo. Recuso sentir-me uma vitima dessa situação e saí reforçada na minha vontade de vencer. Infelizmente eu e os meus companheiros de então não fomos aos Jogos por uma birra de quem detinha na altura o poder nas mãos, mas esta não é a questão. A questão é que devemos lutar por aquilo em que acreditamos e quando se tem a vida académica “em dia” e há consenso familiar, não vejo impedimento para de investir na vida desportiva por um ano ou mesmo dois. A possibilidade de conciliar os vários âmbitos de actividade será mais fácil hoje em dia, mas mesmo assim, quando se ama a Natação, uma presença nos JO deverá valer todos os sacrifícios, desde que legítimos.

P(fcpnatacao): Como vê o futuro da natação no nosso País e particularmente no F.C. Porto?
Com alguma apreensão. Vivemos numa sociedade que tem sofrido grandes mudanças e a prática regular de uma modalidade tão exigente como a Natação não é fácil – aos conhecimentos técnico-científicos do treinador devem ser cada vez mais importantes os seus conhecimentos pedagógicos e humanos, já que é preciso saber motivar os atletas, que têm solicitações de todos os quadrantes sociais e mesmo familiares (muitas famílias não têm como núcleo, uma postura equivalente à necessária para acompanhar um atleta de natação). Os apoios aos nadadores têm que ser efectivos quando se trata de conciliar as vidas académica e desportiva. Por outro lado a questão das instalações, no caso do FCP, parece ser um “contratempo” no desenvolvimento do espírito de equipa e da continuidade de uma tradição que em tempos era inigualável. Na minha opinião, um clube de Natação faz-se com uma escola em que os jovens se cruzam diariamente com os campeões.

E agora, algumas questões colocadas pelos visitantes do nosso site:
P (Nuno Pereira): Qual a melhor forma de conciliar o desenvolvimento da criança/adolescente com a competição em natação, tendo em conta o percurso escolar, o desenvolvimento corporal, a relação com os amigos e de certa forma com toda a estrutura que nos envolve?
O equilíbrio, o bom senso. Considerando o quadro social em que vivemos, eu diria que o essencial é manter as crianças saudáveis física e emocionalmente. Este é um ponto que o desporto não pode esquecer por parte de todos os intervenientes do processo de preparação desportiva dos jovens (pais, dirigentes, treinadores, federações, …). Não podemos fazer campeões isolados do mundo, mas os nadadores têm que saber as consequências da opção de querer ser nadador, principalmente quando se tem talento: não há tantas saídas com os amigos, mas não vão deixar de ter amigos por isso; têm que ser ainda mais organizados com os seus estudos, e serão capazes de ter tão bons ou melhores resultados do que aqueles a quem sobra tempo; é possível que venham a ter alguma lesão, mas isso pode acontecer em qualquer situação desportiva quer competitiva, quer recreativa; e é também possível que tenham uma experiência de vida que valerá para sempre, algo que nem todos os jovens podem experienciar.
O segredo é saber o que se quer e estar inserido num contexto promotor de qualidade desportiva e excelência humana.

P (António Rui Barbosa, capitão da equipa de natação do F.C.Porto): Acredita que ainda poderia dar o seu contributo directo à natação do FCP? De que forma?
Eu sou uma profissional da Educação Física e do Desporto. O meu Desporto é a Natação e o meu clube o FCP, o resto o tempo o dirá.

(fcpnatacao): obrigado Teresa. 




terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Cristiano Pereira * Hóquei em Patins


Formado no FC Porto, Cristiano foi durante muitos anos o único representante portista na selecção nacional de hóquei em patins, que tinha António Livramento como grande capitão. Jogador carregado de talento, com prestígio reconhecido além-fronteiras, contribuiu com golos decisivos e enorme classe para as muitas vitórias do FC Porto na modalidade. Campeão nacional, europeu e mundial por diversas vezes, Cristiano Pereira alia à notável carreira como jogador uma sequência de sucesso enquanto treinador, que teve na Taça dos Campeões Europeus conquistada em 1986, frente aos italianos do Novara, um corolário consentâneo com as suas capacidades.


Em cima, na foto, recuperámos a equipa, orientada por Cristiano Pereira, que venceu o Novara na Final da Taça dos Clubes Campeões Europeus 1985/86.

Em cima (da esq. p/ dta): António Alves, Tó Neves, Domingos Carvalho, Vítor Bruno, Luís Almas e Realista;
Em baixo: (da esq. p/ dta): Vítor Hugo, Domingos, Franklim e António Vale;


Fui ao meu baú de recordações do FC Porto, buscar esta entrevista de Cristiano à revista Dragões nº. 6 de Setembro de 1985, após o ADEUS AOS PATINS.



(Clique na imagem para visualizar)

sábado, 18 de setembro de 2010

Figuras Históricas * Alberto Babo

Alberto Babo

Natural da Freguesia de Meinedo, concelho de Lousada, Distrito do Porto, de onde eu também sou natural, meu primo em segundo grau, jogou no FC do Porto de 1960 a 1981, venceu dois campeonatos nacionais da 1ª divisão portuguesa e uma Taça de Portugal em 1981. 
Fez parte da célebre equipa que venceu o campeonato nacional em 1971/72, da qual também faziam parte Fernando Gomes, Fernando Assunção e Dale Dover!

Como treinador venceu um Campeonato Nacional sénior da 1ª e 2ª divisão, três Campeonatos Nacionais de juniores, um campeonato nacional de juvenis e dois Campeonatos Nacionais de esperanças.
Foi o primeiro vencedor do Torneio Internacional de V. F. Xira (Xirabasket) juniores e vencedor do Torneio Internacional da Amadora em juniores. 

Época 1995/1996
 Foi treinador adjunto do FC do Porto, conquistou um Campeonato Nacional de FPB EM 1981/82, venceu dois da Liga Profissional 1995/96 a 97, arrebatou uma Taça de Portugal em 1995 e também uma Super Taça.

Como treinador principal, no FC Porto e no Queluz, foi eleito várias vezes treinador do ano e sendo ainda detentor do recorde de vitórias consecutivas num campeonato profissional (27).

Campeões Nacionais 1998/1999
A nível internacional tem mais de 50 vitórias, entre as quais se destaca a caminhada até aos quartos de final da Taça Saporta (substituiu a Taça da Europa de Clubes), em 1999/2000, comandando uma equipa do FC Porto que tinha jogadores como Jared Miller, Rui Santos, Paulo Pinto, Nuno Marçal, Fernando Sá, João Rocha, etc.

Saiu do FC Porto em 30 de Maio de 2008.
«A Futebol Clube do Porto – Basquetebol, SAD informa que o vínculo laboral do treinador da equipa profissional, professor Alberto Babo, cujo prazo expira no final da presente época, não será renovado.
Após análise circunstanciada de todo o trabalho desenvolvido e ponderados diversos aspectos da relação existente, foi tomada a decisão de não prorrogar o contrato, por todos tida como a mais adequada.
A Futebol Clube do Porto – Basquetebol, SAD gostaria, entretanto, de enaltecer o portismo, a dedicação e o empenho profissional sempre colocados pelo professor Alberto Babo ao longo destes anos na defesa dos interesses do clube, não só como treinador principal, mas também como responsável pela formação de muitos jovens atletas.
A Administração da Futebol Clube do Porto – Basquetebol, SAD»


Entrevista a Alberto Babo publicada no Bibó Porto Carago (clica para visualizar).