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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Uma história de chorar

O conceito de FC Porto está intrinsecamente ligado ao conceito de cidade, mais concretamente ao da cidade do Porto.
É verdade que outros clubes representam a cidade, como o Boavista, o Salgueiros, o Leixões, entre outros mas, exceptuando estes, de menor expressão, é o FC Porto que representa o Porto no imaginário de todos os portugueses.
A cidade e o clube da cidade, foi assim que sempre foi vista a relação entre o Porto e o FC Porto.
Foi assim que, em 1933, traduzindo o sentimento da cidade, se chegou, numa assembleia geral do clube, ao entendimento de que, sendo o Campo da Constituição já insuficiente para as necessidades do FC Porto, urgia edificar, dentro dos limites urbanos, um recinto desportivo digno da história do clube, e à altura dos pergaminhos da Cidade Invicta.
Em 1943 começou a discutir-se o local da cidade mais indicado para a sua construção. Esta discussão foi renhida, uns defendendo determinada zona da cidade, outros outra, e por aí adiante.
Só em 1949 houve consenso na construção do complexo desportivo do FC Porto no conceituado bairro das Antas.
Em 8 de Dezembro desse ano foi lançada a primeira pedra e, a 28 de Maio de 1952, foi o estádio inaugurado com pompa e circunstância.
Pela imagem que deixo abaixo, resultante de estudos da época, se presume que, inicialmente, estaria prevista a construção de uma porta grandiosa voltada para a Avenida Fernão de Magalhães, composta por duas colunas monumentais, encimadas por estátuas e ligadas por uma estrutura comprida, assente em várias colunas.


Estudo da época

Desconheço as razões que levaram à não construção desta entrada monumental, mas atrevo-me a pensar que, de duas um, ou este desenho se tratou apenas de um estudo não aprovado ou, então, alguns factos posteriores impediram a sua concretização, tais como, desentendimentos, escassez de financiamento, implicâncias administrativas, ou outras. Desconheço, mas tentarei averiguar.
Desconheço, mas também garanto que, a ter sido construída, se o estádio já era bonito, então passaria a ser fascinante.
O Estádio do FC Porto, popularmente conhecido por Estádio das Antas, era uma verdadeira jóia da arquitectura de então. O granito era branquinho, o relvado fino, a pista de atletismo larga e bonita – só concluída em 1960 –  e a bancada, em forma de prato ladeiro, era baixa, para que os adeptos pudessem ver de perto os jogos e as corridas. A bancada central nascente não existia, para dar lugar à maratona.


Este Estádio era uma jóia. À esquerda, a Praça Velasquez, ainda sem prédios.
Ainda não existia qualquer complexo desportivo abaixo da maratona.

O Estádio dessa altura, visto da Praça Velasquez.
Repare-se na brancura do granito e na harmonia das suas formas.
Numa das casas, que ao todo fazem sete janela e correm para a esquina
da praça com a Fernão de Magalhães, veio um dia a viver José Maria Pedroto.

A brancura do granito, agora vista dentro do Estádio,
na pala e cadeiras que ela cobre.

Agora já com  escadinhas que desciam para o novo campo de treinos. À esquerda
deste, já desenhado no chão o espaço onde se viria a construir o pavilhão
 Afonso Pinto de Magalhães.

Nesta fotografia o pavilhão Afonso Pinto de Magalhães
 já se encontra construído. Ainda não existe a piscina
 nem o pavilhão Américo de Sá.

A beleza do Estádio das Antas estava precisamente na brancura do granito, na inclinação das bancadas, na pequena altura destas – à semelhança da dos campos de jogos gregos e romanos – na graciosidade da pala, por cima dos cativos – que na altura ainda não existiam – na pista de atletismo e, sobretudo, na beleza da porta da maratona.



Uma corrida de atletismo na pista das Antas

*

Convém aqui falar um pouco da maratona.
A Grécia Antiga era uma nação com muitos estados dentro de si, cada um correspondente a cada uma das suas cidades.
No ano 490 a.C., os Persas atacaram Maratona, uma cidade grega a 40 quilómetros de Atenas. Milcíades, comandante das tropas de Maratona, ao se aperceber que os soldados persas ascendiam a mais de 20.000, enquanto os seus rondavam apenas os 9.000, enviou o seu melhor corredor a Atenas, pedir aos governantes desta cidade o favor de mandarem o seu exército e se juntassem a ele na defesa de Maratona. Este poderoso corredor percorreu os 40 quilómetros a pé, num tempo recorde, conseguindo que os soldados de Atenas se juntassem aos de Maratona, que assim derrotaram os Persas.


A Grécia, à esquerda e, a Ásia Menor, hoje Turquia, à direita,
separadas pelo Mar Egeu. A Ásia Menor,  em 490 a. C.,
pertencia ao Império Persa.
Ao norte, a cidade de Maratona.

Batalha de Maratona.
Os soldados gregos usavam, a cobrir a cabeça,
um elmo de ferro com um arco no topo, 


O guerreiro de Maratona leva a mensagem de Milcíades
 aos generais de Atenas.

Em 1896 tiveram lugar os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, e criada a prova da maratona, com 40 quilómetros, alusiva à distância Maratona-Atenas, para homenagear o corredor de Milcíades. Em 1948, nos Jogos Olímpicos de Inglaterra, traçado o itinerário  da corrida pela comissão organizadora, verificou-se que a prova terminava a 2 km 150 metros do Palácio de Windsor. Foi então acrescentada esta medida à prova – medida que ainda hoje se mantém – para que a Família Real pudesse apreciar o ponto de chegada dos corredores.
Em Portugal uma lei obrigava a que os estádios fossem construídos com uma determinada abertura, para que os corredores das diferentes provas de maratona por elas pudessem entrar e concluir a corrida depois de uma volta ao estádio.
Assim se construíram os estádios das Antas, Alvalade, Braga, Belenenses e outros. O da Luz foi o primeiro a poder ser construído sem Porta da Maratona.


A maratona do antigo Estádio de Alvalade


A maratona do antigo Estádio do Braga


A maratona do Estádio AXA


A maratona do Estádio do Belenenses
A maratona do Estádio Nacional


Maratona do Estádio da Académica

*

O Estádio do FC Porto era, sem dúvida, o mais bonito de Portugal, por todas as razões, todas as que acima apontámos, mais a da sua originalidade, a da sua harmoniosa aparência e inserção no tecido urbano daquela zona da cidade, bem como o desafogo que lhe dava a ausência de malha urbana em seu redor.
Porém, ao longo dos anos que seguiram doze acontecimentos contribuíram para a progressiva fealdade do Estádio das Antas, para a ruptura com a sua harmonia e quebramento da sua singeleza: o escurecimento do granito pelo tempo, impossível de evitar, a cobertura dos lugares dos cativos, debaixo da pala, com cadeiras de plástico azul, o seu estrangulamento pela edificação de prédios à sua volta, o fechamento da maratona, a construção de uma arquibancada sobre a bancada que fechou a maratona, o rebaixamento do estádio e consequente desaparecimento do corredor dos peões e da pista de atletismo, a construção da Torre das Antas, a não mais de 30 metros da parede exterior da bancada central poente, o cobrimento de todas as bancadas do estádio com cadeiras de plástico azuis, extremamente feias, para além de mais escuras do que as da pala, já queimadas pelo sol, o frio e a chuva, a colocação de painéis electrónicos por cima das bancadas norte e sul do estádio, a colocação de painéis de publicidade a toda a volta do estádio, bem como no fundo e topo da arquibancada, a troca da saída e entrada dos jogadores, que se fazia por uma porta no solo, atrás das balizas - de que não temos fotografias -  por um túnel em harmónio, construído no fundo da bancada central que tapou a maratona, e a própria destruição do estádio que, para além de ter constituído a maior derrota do FC Porto em toda a sua existência, ali deixou nada, assim como o “Ground Zero” que resultou da queda das torres gémeas de Nova Iorque.


O escurecimento do granito pelo tempo


O estrangulamento do Estádio pela urbanização dos terrenos adjacentes.
Nesta fotografia, para além do Pavilhão Afonso Pinto de Magalhães,
já se vêem os edifícios da piscina e do Pavilhão Américo de Sá.


O fechamento da maratona e construção da arquibanca


A edificação à volta do Estádio, o mau escoamento
 e a maratona desaparecida.


O rebaixamento do Estádio. Repare-se nas cadeiras azuis
apenas na zona dos cativos.


O Estádio, depois de rebaixado.


Bilhete para o jogo de inauguração do rebaixamento do Estádio.


A colocação de painéis electrónicos nas curvas norte e sul do Estádio.
Repare-seque, nesta altura, ainda não existia a Torre das Antas.
Nesta foto já se vê,demarcado, o espaço onde se viria a construir
a Torre das Antas.


A construção da Torre das Antas a menos de 30 metros do Estádio.


A Torre e o Estádio vistos de poente.


Os festejos do Colectivo 95, por um golo do FC Porto, na Curva Norte.
Repare-se na  publicidade a toda a volta do Estádio.


A publicidade nos cativos.


O início da cobertura do Estádio com cadeiras azuis.


O Estádio coberto de cadeiras. Repare-se que as cadeiras
 dos antigos cativos estão mais esbranquiçadas.


No canto superior direito já se vê o início das obras do Dragão.
Das obras para poente já se começa a rasgar a Avenida do Dragão..
A primeira casa à direita da Igreja das Antas,
do ouro lado da avenida, irá desaparecer.


O rasgão da Avenida do Dragão já chegou à Fernão de Magalhães.


As obras do Dragão avançam.
Lá ao fundo, em cima, o Estádio das Antas
mergulhado na sua tristeza.


O princípio do fim.
O Estádio das Antas começa a ser demolido.


Por ironia do destino, a última peça do Estádio das Antas,
a bancada e arquibancada que fecharam a Maratona,
foi também a última a ser destruída.


Vista de avião.
A noroeste do Estádio do Dragão, o "Ground Zero", semelhante ao
buraco que ficou no local das Torres Gémeas de Nova Iorque,
 depois de desabarem, na sequência do atentado terrorista
 de 11 de Setembro.


O "Ground Zero" de Nova Iorque.


Uma ideia: acendam-se dois holofotes azuis virados para o
céu no "Ground Zero" das Antas, tal como no Ground Zero de Nova Iorque.
Ganhava o FC Porto, ganhavam os portistas, ganhava a Cidade e ganhava o País,
enquanto monumento ao Estádio Desaparecido.


Quem me leu até aqui já decidiu que eu sou um conservador retrógrado, que parou em 1952. Mas na realidade não sou retrógrado. Sei que o Homem tem que acompanhar o devir histórico, e o devir histórico muitas vezes exige mudanças.
Sim, sou conservador, mas ser conservador não é ser retrógrado. Ser conservador é promover as mudanças que o devir histórico exige, mas resguardando os modelos antigos que continuam a funcionar bem.
E o estádio das Antas ainda hoje poderia estar a funcionar bem.
Para isso o FC Porto deveria tê-lo mantido de pé, retirar-lhe a publicidade e as cadeiras horríveis que tinha, voltar a subir o relvado até à posição inicial, destruir a bancada e a arquibancada, reconstruindo a maratona, voltar a colocar atrás das balizas as escadas que davam para os balneários, agora reconstruídos de novo, limpar o granito de todo o estádio, até ele ficar branquinho como no dia da inauguração, e cobrir todos os assentos com cadeiras de fibra acrílica transparente, para se poder continuar a apreciar o granito, agora remoçado.
Aliás, defendo que, na parede exterior do estádio, se deveria remover toda a caliça e forrá-la com lâminas de granito iguais ao do interior do estádio.
Para quê? – Perguntarão os mais afoitos. Com que dinheiro? – Perguntarão todos à uma.
Aos segundo responderei que, se o FC Porto pôde negociar toda a construção do Estádio do Dragão, também teria podido negociar o terreno do antigo Estádio, com um passeio largo a toda a sua volta.
Ficaria o Estádio, só o Estádio.
Aos segundos responderei que o velhinho Estádio das Antas, agora remodelado, mantida a sua propriedade nas mãos do FC Porto, passaria a ser um magnífico espaço de espectáculos para a cidade, e de receita para o clube, acrescida de um sistema de visitas ao seu interior, obviamente pagas . Isto para já não falar da sua utilidade para treinos do FC Porto. 


Além disso, teria sido também uma grande homenagem a este Senhor,
podendo-se mesmo dar-lhe o seu nome,
Estádio José Maria Pedroto
NOTE-SE BEM.:

A construção do Estádio do Dragão foi motivo de orgulho para mim e para milhões de Portugueses espalhados por todo o Mundo.
Em 2000 impunha-se partir para a construção de um novo estádio, posto que o das Antas estava completamente ultrapassado, em termos de crescimento, de materiais de segurança, de conforto e de segurança, no quadro mundial, para o exercício do futebol.
O Euro 2004 deu ao FC Porto a hipótese de construir o estádio maravilhoso que é o Dragão, que é, somente, o estádio mais bonito de Portugal e um dos mais bonitos do Mundo.
Que fique claro que eu não sou retrógrado, antes pelo contrário, sou uma pessoa com os olhos postos no futuro.
Que fique bem claro que eu defendo que o Estádio das Antas estava a atingir os últimos níveis da nossa capacidade de o podermos utilizar.
O que eu lamento - isso sim - é que o Estádio das Antas não tivesse sido preservado como museu, sala de visitas, espaço de eventos para a cidade e o País, e até de campo de treinos.

HISTÓRIA DE CHORAR, sim, mas não por desejar que o Dragão se não tivesse construído e devêssemos continuar a jogar nas Antas. Apenas porque acho impossível que os verdadeiros portistas não sintam saudades do Estádio das Antas e porque defendo que este devesse ter sido preservado, nos termos e para os termos que acima referi.

Azulibranco

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Estádio do Dragão * 7º Aniversário

No FC Porto, comemora-se o 7.º aniversário do Estádio do Dragão, onde de manhã os adeptos podem assistir ao treino orientado por André Villas Boas, depois há conferência de imprensa do médio argentino Belluschi.

A festa prolonga-se pelas 10h30, já que na Loja Azul do estádio, o número 7 Belluschi participará numa sessão de autógrafos.

A partir das 15h, os portistas dispõem da oportunidade de visitar, gratuitamente, o Estádio do Dragão, onde poderão seguir as pisadas dos seus ídolos e conhecer todos os recantos do recinto inaugurado a 16 de Novembro de 2003, com uma vitória do FC Porto sobre o Barcelona, por 2-0.

Momentos em vídeo publicados no Portal dos Dragões:

Introdução ao estádio do Dragão

Um dos mais modernos estádios do mundo

Inauguração da Praça do FC Porto

O descerrar da placa de inauguração

A festa no estádio

O helicóptero com Luís de Matos

O fogo de artifício

Vista aérea do estádio do Dragão (ao som do «Dallas»)

A sala de controlo do estádio

Os videoscreens do estádio

Os camarotes mais luxuosos

O conceito «Platinium»

Os camarotes de 3 e 4 estrelas 

Estádio do Dragão


O Estádio do Dragão é um estádio de futebol localizado na cidade do Porto. É propriedade do Futebol Clube do Porto. Tem uma capacidade de 52.000 espectadores, todos sentados e cobertos.

O Estádio do Dragão foi construído para substituir o velho Estádio das Antas que abriu as portas em 1952. Foi inaugurado em 16 de Novembro de 2003 num jogo particular com o FC Barcelona e utilizado em 2004 em cinco jogos do campeonato do Euro 2004, foi palco do jogo inaugural deste grande evento desportivo, disputado entre Portugal e a Grécia no dia 12 de Junho, onde a equipa anfitriã foi derrotada por 2-1. Aqui também tiveram lugar os jogos da fase de grupos Alemanha - Holanda e Itália - Suécia, a 15 e 18 de Junho, respectivamente, e ainda o jogo dos quartos-de-final entre a República Checa e a Dinamarca, e a meia-final que opôs a Grécia e a República Checa.


O estádio teve uma construção conturbada. Durante a construção, conflitos entre o presidente do clube, Jorge Nuno Pinto da Costa e o presidente da autarquia, Rui Rio, levaram a sucessivas paragens na obra e adiamentos. O estádio foi projectado pelo arquitecto Manuel Salgado e custou cerca de 98 milhões de euros, dos quais 18,5 milhões pagos pelo Estado.

Durante a construção, houve uma viva discussão sobre o nome a dar ao estádio. "Estádio das Antas", "Novo Estádio das Antas" e "Estádio Pinto da Costa" foram alguns dos nomes propostos. Pinto da Costa recusou o seu próprio nome e escolheu "Dragão" por referência ao Dragão que figura na presidência do clube.

O Estádio do Dragão, pela sua excelência, tem servido de inspiração para construções similares noutros países. Dois exemplos: um dos projectos para o novo estádio nacional da Irlanda do Norte, a construir em Maze (perto de Lisburn), tem o Dragão como modelo;[1] no âmbito do Campeonato do Mundo de 2014 uma delegação constituída por empresários, arquitectos, representantes de clubes, do sector da construção e de governos estaduais e perfeituras visitou os estádios do Euro 2004, tendo elegido o Dragão como o "mais bonito", "harmonioso" e "interessante" dos visitados e um caso "a copiar" no Brasil.

Classificação internacional

Grau A - O estádio do Dragão pode ser o palco de qualquer evento futebolístico nacional ou internacional.

Certificações

O Estádio do Dragão é o primeiro estádio europeu a conseguir a certificação «GreenLight». Esta é uma certificação da Comissão Europeia (através da ADENE - Agência para a Energia), premiando o esforço realizado em termos da utilização racional de energia e na qualidade da iluminação.

Distribuição dos lugares de bancada

Lugares de bancada - 45.634

Lugares de empresa - 1.176

Camarotes de família - 1.120

Lugares de tribuna - 898

Camarotes de venda livre - 596

Camarotes de 5 a 6 estrelas - 372

Lugares de Imprensa - 194

Camarote presidencial - 120

Deficientes e acompanhantes - 104

Curiosidades

O Estádio do Dragão é considerado, pela FoxSports.com, como um dos "25 Football`s Hallowed Grounds", ou seja, um dos 25 Estádios mais sagrados do futebol mundial.

O Estádio do Dragão já recebeu um prémio da "European Convention for Construction Steelwork".

O Estádio do Dragão foi o primeiro estádio europeu a conseguir a certificação "GreenLight". Esta é uma certificação da Comissão Europeia (através da ADENE - Agência para a Energia), premiado o esforço em termos de utilização racional de energia e na qualidade da iluminação.

O Estádio do Dragão está equipado com dois painéis electrónicos, que contém a resolução mais elevada em Portugal e uma das mais elevadas do Mundo.

O Estádio do Dragão está equipado com a tecnologia mais avançada em termos de controlo de acessos a bilheteira, tendo torniquetes instalados que permitem a validação de um ingreso adquirido, por exemplo, através do telemóvel.

O Estádio do Dragão é de Grau A, o que significa que pode ser palco de qualquer evento futebolístico nacional ou internacional.

Brasileiros elegem estádio do Dragão "o mais bonito" COMITIVA QUER "COPIAR" RECINTO DO FC PORTO

O Estádio do Dragão foi eleito o "mais bonito", "harmonioso" e "interessante" dos visitados pela uma comitiva brasileira, tendo em vista a recolha de experiências para o Campeonato do Mundo de 2014.

"Este estádio é um sonho", referiu Sérgio Veiga Brito, do Flamengo, que destacou ainda do ponto de vista arquitectónico a obra realizada em Braga "onde se construiu um recinto belo e de formas únicas".

Isaac Ferreira, da Federação Paranaense de Futebol, também elogiou o recinto do FC Porto: "É limpo, harmonioso e colorido."

De acordo com a comitiva, que integrava representantes de clubes, empresários, arquitectos e representantes do sector da construção, de governos estaduais e perfeituras (municípios), a casa dos portistas é um projecto "a copiar".

Portugal foi o parceiro escolhido pelo Brasil, único candidato a acolher o Mundial' 2014, para conhecer e debater as experiências na construção dos estádios, tendo como base o sucesso do Euro'2004.

Luizinho, ex-futebolista do Sporting e actual dirigente do Vila Nova, de Minas Gerais, é uma das vozes discordantes da organização do Mundial de 2014, por achar que "há problemas sociais mais prementes para resolver."

"Este estádio é bom para os olhos e para a alma e as pessoas sentem-se bem aqui", referiu João Bosco Borba, chefe da delegação e presidente da Associação Nacional de Empresários e Empreendedores Afro Brasileiros (ANCEABRA).

Segundo João Bosco, "o Dragão, amplo e arejado, e convém não esquecer que o torcedor brasileiro gosta de tirar a camiseta, podia inserir-se perfeitamente na paisagem do sul-sudeste do Brasil, tal como o de Braga no Nordeste".

"O Brasil tem recintos obsoletos, sem condições para grandes eventos, por isso temos que aprender com a dinâmica do Euro2004, em que Portugal alterou o conceito de arquitectura de estádios", sublinhou João Bosco.

Na base do recurso a Portugal, em vez de Alemanha ou África do Sul, estão três razões base: a criatividade das estruturas, a boa relação preço/qualidade e a ligação do estádio com a zona em que se insere.
Em Setembro deste ano o FC Porto recebeu o prémio da ECA para o maior feito não desportivo do ano. O título foi anunciado esta segunda-feira, em Genebra, no decorrer do primeiro dia de actividades da assembleia geral da European Club Association.

O prémio está relacionado com a candidatura apresentada pelo FC Porto no âmbito das boas práticas ambientes implementadas no Estádio do Dragão e que estão materializadas nos certificados de qualidade e ambiente que o palco azul e branco ostenta.

Recorde-se que o Estádio do Dragão, já foi galardoado com o prémio da “European Convention for Construction Steelwork” e é considerado, pela FoxSports.com, como um dos “25 Football`s Hallowed Grounds”, ou seja, um dos 25 Estádios mais sagrados do futebol mundial, é o primeiro estádio europeu a conseguir a “GreenLight”, uma certificação da Comissão Europeia através da Agência para a Energia, que premia o esforço realizado em termos da utilização racional de energia e na qualidade da iluminação.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Palcos de Magia

Aquando da conquista do galardão atribuído pela European Club Association (ECA) para o maior feito não desportivo do ano, que premiou o Estádio do Dragão no âmbito das boas práticas ambientais, recordamos aqui a história da sua construção e alguns pormenores que fazem do nosso estádio uma referência internacional, sendo mesmo considerado um dos “25 Football`s Hallowed Grounds”.

Hoje vamos aqui recordar os outros palcos de magia onde o nosso clube escreveu páginas de glória e conquista ao longo destes 117 anos.

Campo da Rua da Rainha - 1906 a 1912



O Campo da Rua da Rainha foi o primeiro campo do Futebol Clube do Porto, que serviu de casa ao clube de 1906 a 1912.
Reactivado em Agosto de 1906 por José Monteiro da Costa, o FC Porto procurou de imediato um local onde construir as suas instalações desportivas. Junto à casa do refundador e presidente, na Rua da Rainha (cujo nome seria alterado após a Implantação da República para Rua Antero de Quental), havia um terreno alugado à Companhia Hortícola Portuense, do qual sobrava um espaço não cultivado. Decidiu-se aproveitá-lo, tendo Jerónimo Monteiro da Costa, pai de José, presidido à comissão instaladora. Construiu-se apenas um pequeno campo de 30x50 metros - o primeiro campo relvado em Portugal - mas ainda em 1906 os viveiros de plantas seriam transferidos para outro local, permitindo ao FC Porto criar um campo com as medidas oficiais rodeado de bancos para 600 pessoas e ainda uma pista de atletismo (para saltos e lançamentos), balneários e um bar.
Em 1907 a sede do FC Porto foi transferida da sua primeira localização, na Rua de Santa Teresa, para junto do Campo da Rua da Rainha. No mesmo ano foi acrescentado ao complexo um campo de ténis.
No final do ano de 1911 o FC Porto foi informado de que teria que desocupar o terreno da Rua Antero de Quental, para que no local fosse construída uma fábrica. A mudança para o Campo da Constituição realizar-se-ia cerca de um ano depois.


Momentos especiais


15 de Dezembro de 1907 - FC Porto x Real Fortuna de Vigo, primeira recepção de um clube português a uma equipa estrangeira. Desconhece-se o resultado.



2 de Abril de 1911 - FC Porto 3 x 1 Boavista, que garantiu a vitória na primeira edição da Taça José Monteiro da Costa, o primeiro título oficial da história do FC Porto.



Campo da Constituição - 1913 a 1952



O Campo da Constituição foi o principal recinto do Futebol Clube do Porto de 1913 a 1952.

No final do ano de 1911 o FC Porto foi informado de que teria que desocupar o Campo da Rua da Rainha, já que no local seria construída uma fábrica. Começou-se então a procurar um espaço adequado às novas instalações e com facilidade se encontrou um terreno próximo à Rua da Rainha (cujo nome havia já sido alterado, após a Implantação da República, para Rua de Antero de Quental), na Rua da Constituição. Em Julho de 1912 é dado o aval em assembleia-geral e o terreno é alugado por 350 escudos anuais. Nele é construído um campo de futebol, inaugurado no dia 1 de Janeiro de 1913 (embora o torneio oficial de inauguração tenha acontecido apenas entre os dias 26 e 28 do mesmo mês). A sede já havia sido transferida da Rua da Rainha para a Constituição em Novembro de 1912. Em 1914 é inaugurado um ringue de patinagem, que três anos depois é substituído por um campo de ténis.
Durante um largo período, o Campo da Constituição serviu também de casa a outros clubes, como o Salgueiros, o Vilanovense ou o Sporting de Espinho, a quem o FC Porto subalugava as instalações. Contudo, o FC Porto cresceu rapidamente e, em cerca de duas décadas, o Campo da Constituição tornou-se pequeno demais para o clube. Em 1933 foi apresentada em assembleia-geral a proposta de aquisição de terrenos para um novo estádio. O Estádio das Antas só ficaria pronto em 1952, pelo que, desde a década de 30 e até à inauguração do novo estádio, o FC Porto teve muitas vezes necessidade de jogar em campo emprestado, por vezes no Amial, do Sport Progresso, mas sobretudo no Estádio do Lima, do Académico.
Em 1952 deu-se a mudança definitiva para as Antas. A sede já havia sido transferida, em 1933, para a actual Praça General Humberto Delgado Avenida dos Aliados. O Campo da Constituição encontra-se ainda hoje em actividade, servindo de casa aos escalões de formação do FC Porto.



Momentos especiais


5 de Abril de 1921 - FC Porto 5 x 0 Real Madrid, em jogo amigável

23 de Abril de 1939 - FC Porto 3 x 3 Benfica, empate que garantiu a conquista do título na primeira edição do Campeonato Nacional

Estádio das Antas - 1952 a 2003




O Estádio do Futebol Clube do Porto, mais conhecido como Estádio das Antas, foi, como o nome indica, o estádio do Futebol Clube do Porto durante 52 anos.

Foi numa Assembleia Geral em 1933 que surgiu a proposta de construção de um novo estádio, já que o Campo da Constituição começava a revelar-se pequeno para o FC Porto. A proposta foi aprovada por unanimidade, mas só em 1937 começaram a ser tomadas medidas no sentido de concretizar o objectivo, com a criação de um empréstimo obrigacionista. Dez anos depois foi comprada uma área de 48.000 metros quadrados na zona das Antas, na parte leste da cidade do Porto. A primeira pedra foi lançada em acto simbólico em Dezembro de 1949, tendo a obra começado cerca de um mês depois.

José Bacelar, sócio nº1 do FC Porto na altura, pagou o salário do primeiro dia de trabalho a todos os operários. A solidariedade da população da cidade e da região para com o FC Porto ficou também marcada por dois cortejos de materiais, em que dezenas de camionetas, autocarros e furgonetas seguiram em cortejo para o estádio levando material de construção.

Ao longo do processo foi necessário comprar terrenos adjacentes aos originais, pois concluiu-se que 48.000 metros quadrados não seriam suficientes para o complexo desportivo que o FC Porto pretendia construir. Comprados os referidos terrenos, a área total ascendeu aos 63.220 metros quadrados. A capacidade original do estádio era de 44.000 espectadores, distribuídos por três bancadas - duas superiores e uma lateral. O lado leste do campo não tinha bancada, sendo chamado de Porta da Maratona.

No dia 28 de Maio de 1952 o Estádio do Futebol Clube do Porto foi inaugurado numa cerimónia pomposa que contou com a presença do General Craveiro Lopes, então presidente de Portugal. Urgel Horta presidia ao FC Porto na altura.







Modificações


1960 - inauguração da pista de ciclismo

1962 - inauguração da iluminação artificial

1976 - fecho da Porta da Maratona, ou seja, construção de uma bancada ao longo da lateral leste do campo, acrescida de um segundo anel - a arquibancada, que aumentou a capacidade do estádio para 65.000 lugares. estando apenas 30% da bancada encadeirada.

16.12.1986 - a capacidade do estádio aumentou para 95.000 lugares! rebaixamento do campo - a bancada avança na direcção do campo, substituindo a pista de ciclismo e atletismo.

Na década seguinte o estádio foi sendo gradualmente encadeirado - terminado o procedimento, a capacidade do estádio diminuiu para cerca de 55.000 lugares

O complexo

Quando se fala no Estádio das Antas, nem sempre se fala apenas no estádio em si; a expressão pode designar também todo o complexo desportivo que, ao longo das cinco décadas de existência do estádio, foi sendo construído à sua volta. Esse complexo incluía, entre outras coisas, o Pavilhão Américo de Sá (com capacidade para 7.000 pessoas), onde actuavam as equipas de andebol, basquetebol e hóquei em patins do FC Porto (a de basquetebol passaria a jogar no Pavilhão Rosa Mota em meados dos anos noventa), o Pavilhão Afonso Pinto de Magalhães, uma piscina coberta (utilizada quer pela equipa de natação do FC Porto, quer por utilizadores pagantes), três campos de treinos relvados, a primeira Loja Azul, o Bingo do FC Porto, a sala-museu do FC Porto, e a Torre das Antas, onde foi instalada a sede do FC Porto

Momentos especiais

19 de Outubro de 1977 - FC Porto 4 x 0 Manchester United, 1ª mão da 2ª eliminatória da Taça das Taças 1977/78


28 de Maio de 1987 - recepção, de madrugada, aos vencedores da Taça dos Clubes Campeões Europeus que chegavam directamente de Viena

13 de Janeiro de 1988 - FC Porto 1 x 0 AFC Ajax, 2ª mão da Supertaça Europeia 1987, vencida pelo FC Porto





22 de Maio de 2003 - recepção, de madrugada, aos vencedores da Taça UEFA vindos de Sevilha

Por outro lado, o dia mais negro da história do Estádio das Antas foi 16 de Dezembro de 1973, dia em que Pavão, grande jogador e ídolo dos adeptos, caiu por terra ao minuto 13 da jornada 13, contra o Vitória de Setúbal. Tinha apenas 26 anos.


O fim

O complexo das Antas começou a ser demolido em 2001; nessa altura, as equipas de andebol, hóquei em patins e natação do FC Porto passaram a competir em casa "emprestada": o Pavilhão Municipal de Santo Tirso, o Pavilhão Municipal de Fânzeres e a Piscina de Campanhã, respectivamente. Também a equipa de basquetebol deixou o Pavilhão Rosa Mota, passando a jogar no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos. Estas equipas continuam deslocadas mesmo após a inauguração do Estádio do Dragão, uma vez que este não inclui pavilhão nem piscina. Existe o projecto de um pavilhão a ser construído junto ao estádio, o Dragãozinho, mas que em Junho de 2007 ainda não saiu do papel.
O Estádio das Antas propriamente dito permaneceria intacto até à inauguração do Estádio do Dragão, em Novembro de 2003, e mesmo para além dela: devido a um grave problema com a relva do novo estádio, este não pôde começar a ser utilizado para jogos oficiais logo após a inauguração, pelo que o Estádio das Antas foi ainda palco de oito jogos oficiais, o último deles contra o Estrela da Amadora a 24 de Janeiro de 2004. A demolição começaria cerca de um mês e meio depois.

Balanço final

No Estádio das Antas o FC Porto jogou 1002 jogos, tendo vencido 803, empatado 119 e perdido 80.